Os democratas recuperaram o controlo das duas câmaras do Congresso norte-americano, depois de conquistarem pelo menos sete lugares no Senado e de inverterem de...

As eleições intercalares de 3 de novembro alteraram o equilíbrio de forças no Congresso dos Estados Unidos. Os democratas conseguiram recuperar o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, retirando ao Partido Republicano a maioria parlamentar de que Donald Trump beneficiou durante os primeiros dois anos do seu segundo mandato.

A mudança é particularmente relevante porque o Congresso tem um papel central na aprovação de legislação, no controlo do orçamento federal, na fiscalização da administração e na confirmação de determinadas nomeações presidenciais. Com as duas câmaras nas mãos da oposição, Trump terá agora de enfrentar um cenário político substancialmente diferente.

O Senado norte-americano é composto por 100 lugares, com mandatos de seis anos. Nas eleições de 2026 estavam em disputa 35 lugares, num processo que acabou por provocar uma mudança na maioria parlamentar.

Na atualização dos resultados publicada pela ABC News, a projeção apontava para 53 lugares democratas e 42 republicanos, permanecendo cinco corridas sem vencedor projetado. A estação indicava sete lugares conquistados pelos democratas e sete perdidos pelos republicanos.

A maioria absoluta no Senado exige 51 votos. Os democratas ultrapassaram esse patamar, mesmo antes de estarem concluídas todas as contagens.

Entre as vitórias mais importantes estão:

A vitória no Kansas tem um significado histórico particular: o estado não elegia um senador democrata desde 1932. No Texas, a última vitória democrata para o Senado tinha ocorrido em 1988, enquanto a Carolina do Sul não elegia um democrata para a câmara alta desde 1998.

A Câmara dos Representantes tem 435 lugares, distribuídos pelos estados de acordo com a população. Para controlar a câmara são necessários pelo menos 218 congressistas, desde que todos os lugares estejam preenchidos.

Antes das eleições, a composição era de 218 republicanos, 214 democratas, um independente que se associava aos republicanos e duas vagas por preencher. Na prática, o bloco republicano dispunha de 219 votos, contra 214 democratas.

A CBS News projetou que os democratas conquistaram lugares suficientes para recuperar a maioria. A estação sublinhou, contudo, que o número final de congressistas de cada partido ainda não estava determinado, uma vez que várias corridas continuavam em contagem.

Entre as mudanças mais relevantes estão derrotas de congressistas republicanos em estados como a Pensilvânia, o Iowa, o Wisconsin, o Nebraska e o Texas. Na Carolina do Norte, os democratas também conquistaram um círculo eleitoral que estava nas mãos dos republicanos há mais de 15 anos.

A dimensão da mudança é expressiva: os republicanos tinham tentado utilizar a redefinição dos círculos eleitorais em vários estados para reforçar a sua posição, mas a estratégia não impediu a conquista de lugares pelos democratas.

O controlo simultâneo do Senado e da Câmara dos Representantes permite aos democratas definir a agenda legislativa do Congresso, controlar comissões parlamentares e intensificar a fiscalização da administração Trump.

Na Câmara dos Representantes, a maioria democrata poderá decidir que projetos são discutidos e votados, além de controlar as comissões responsáveis por investigar a atuação do Governo federal.

No Senado, a mudança permite aos democratas controlar a agenda da câmara e ter uma influência decisiva sobre as nomeações presidenciais que necessitam de confirmação parlamentar, incluindo cargos de grande relevância na administração e na Justiça.

A situação não significa, porém, que Trump tenha perdido todos os instrumentos de poder. O Presidente mantém a possibilidade de vetar legislação aprovada pelo Congresso. Para ultrapassar um veto presidencial, as duas câmaras necessitam de uma maioria de dois terços, um patamar muito superior à maioria simples.

O novo equilíbrio parlamentar poderá, por isso, produzir bloqueios legislativos, negociações difíceis e uma fiscalização mais intensa da Casa Branca durante os dois últimos anos do mandato.