Nos livros de história ou até mesmo aqui na Folhinha, você já ouviu falar sobre muitas coisas que aconteceram milhares ou até milhões de anos atrás. Mas como sabemos o que aconteceu há tanto tempo, se nenhum de nós estava lá? A resposta está na arqueologia, uma ciência que investiga as sociedades humanas do passado. Leia mais (06/26/2026 - 23h00)
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26.jun.2026 às 23h00
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Nos livros de história ou até mesmo aqui na Folhinha, você já ouviu falar sobre muitas coisas que aconteceram milhares ou até milhões de anos atrás. Mas como sabemos o que aconteceu há tanto tempo, se nenhum de nós estava lá? A resposta está na arqueologia, uma ciência que investiga as sociedades humanas do passado.
Quem se dedica a esses estudos são os arqueólogos, cientistas que estudam como viviam as pessoas antigamente. E esse "antigamente" pode ser desde uma época não tão antiga, como o século passado (quando seus pais nasceram, por exemplo), ou muuuuito mais antigamente, como quando nossos antepassados aprenderam a fazer fogo e não sabiam ainda como plantar comida e, por isso, precisavam caçar e coletar alimentos na natureza.
Mas, veja bem, os arqueólogos não estudam tempos tão antigos quanto o dos dinossauros, que habitaram o planeta há mais de 200 milhões de anos atrás. Nessa época ainda nem existiam pessoas na Terra —o Homem de Toumai, considerado o mais antigo do mundo, tem cerca de 7 milhões de anos, e nossa espécie, o Homo sapiens, surgiu há 200 mil anos. Quem estuda os dinossauros são os paleontólogos. São palavras parecidas —paleontologia e arqueologia—, mas são ciências diferentes.
Os arqueólogos estudam as chamadas culturas materiais, que são objetos, ferramentas, restos de casas, cerâmicas, desenhos, pinturas ou qualquer coisa que nossos antepassados deixaram para trás. "São coisas produzidas por pessoas e que geram interações ou relações sociais", afirma o arqueólogo Rafael de Almeida Lopes, estudante de pós-doutorado no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, a USP. Os lugares onde esses vestígios ficam são chamados de sítios arqueológicos.
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Os cientistas ficam sabendo da existência desses sítios de vários jeitos diferentes. Um deles é pelo boca a boca. Alguém conta para alguém que encontrou alguma coisa que parece muito velha, e essa pessoa conta para um arqueólogo; ou alguém leva um objeto curioso até uma universidade ou avisa os cientistas sobre algo encontrado. Outro jeito de encontrar sítios arqueológicos é lendo documentos muito antigos que podem indicar lugares onde pode haver tesouros escondidos.
Nos dias de hoje, com a tecnologia mais avançada, também é possível encontrar sítios arqueológicos por meio de imagens de satélite, por escaneamentos a laser em 3D e por tecnologias como o Lidar, que ajuda a enxergar grandes estruturas escondidas sob as florestas, como os geoglifos.
Os arqueólogos vão atrás de sinais humanos antigos em várias partes do mundo, estejam elas bem longe, como nas florestas, serras e cavernas, ou nas cidades mesmo. Quer um exemplo disso? Quando alguém decide fazer uma grande obra, como um prédio ou uma linha de metrô, é preciso contratar um arqueólogo para ter certeza de que não há objetos valiosos do passado enterrados naquele lugar.
A arqueóloga Marília Perazzo, também da USP, que é autora de dois livros infantis sobre arqueologia ("Vamos Falar sobre Arqueologia?" e "Vamos Falar sobre Arte Rupestre?"), conta que uma vez trabalhou em uma obra na Bahia na qual foram encontradas moedas de prata do século 19 enterradas. Mas, para ela, a verdadeira missão dos arqueólogos não é caçar ouro nem prata. "O verdadeiro tesouro são as informações que a gente encontra", diz.
Para fazer essas buscas, os arqueólogos precisam viajar, como num filme de aventura. Chegando ao local que será explorado, eles escavam os sítios arqueológicos com ferramentas bem delicadas, por dias ou até semanas, a depender do tamanho da área. Depois, levam os objetos encontrados para o laboratório para investigá-los e tentar entender o que eles significam.
No Brasil existem muitos arqueólogos que tentam desvendar como era a vida das pessoas indígenas antes da chegada dos colonizadores portugueses, por exemplo. Fora do país, são eles também que investigam como viviam as pessoas no Egito Antigo, na Mesopotâmia e na Europa durante a Idade Média, além de tentar descobrir como era a vida dos nativos norte-americanos antes da colonização.
É uma profissão em que a pessoa não fica o dia inteiro dentro de um escritório. Existem arqueólogos que trabalham no meio da floresta amazônica, que vão para cavernas e serras e até mesmo para o fundo do mar buscar objetos ou artes que possam ter se perdido em naufrágios —esse tipo de arqueologia é chamada de subaquática.
Quem deseja seguir esse caminho tem de cumprir algumas etapas. Primeiro você precisa fazer uma faculdade —hoje existem cursos só de arqueologia. Mas alguns desses cientistas costumam ser formados em história e, depois que terminam a faculdade, se especializam na área. Como é uma tarefa que envolve muitas áreas do conhecimento, é possível até se formar em uma outra área totalmente diferente antes de se especializar. Existem arqueólogos que são biólogos de formação, por exemplo.


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