Autoridade sanitária paraguaia afirma que fiscalização no Brasil cabe apenas à Anvisa

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11.set.2026 às 12h00

A autoridade sanitária do Paraguai, Dinavisa, diz que as canetas emagrecedoras com registro no país cumprem "todas as exigências sanitárias" e que cabe à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidir sobre a situação desses produtos no Brasil.

A Dinavisa foi procurada pela Folha em diferentes ocasiões desde maio para se manifestar sobre a situação das chamadas canetas emagrecedoras paraguaias.

O primeiro pedido ocorreu em maio, para uma reportagem sobre uma ação civil pública que solicitava à Justiça a autorização para a importação de versões paraguaias de tirzepatida —proibidas pela Anvisa— para uso próprio de brasileiros.

A autoridade sanitária paraguaia também foi procurada em reportagens subsequentes para comentar a análise laboratorial realizada pela Unicamp (Universidade de Campinas) a pedido da Folha, que identificou tirzepatida em cinco canetas analisadas.

A reportagem foi publicada em 4 de julho e havia solicitado posicionamento por email à Dinavisa nos dias 25 e 30 de junho.

Em ambas as ocasiões, a Dinavisa não respondeu. Procurada novamente em agosto por meio de seu perfil oficial no Instagram para uma entrevista para comentar sobre os emagrecedores, a autoridade respondeu que não daria nenhuma declaração a respeito.

"Não podemos emitir opinião sobre uma análise da qual não participamos. A regulamentação de medicamentos no Brasil é de competência da Anvisa. A patente de uma empresa é de responsabilidade de cada autoridade reguladora dentro de seu respectivo território", escreveu.

Questionada sobre as exigências sanitárias para o registro, a fiscalização das canetas no Paraguai e o uso desses medicamentos por brasileiros, a Dinavisa afirmou que os emagrecedores paraguaios cumpriram todas as exigências previstas pela autoridade. O órgão, porém, não detalhou quais são esses requisitos nem explicou como é feita a fiscalização dos medicamentos após o registro.

"Os produtos com registro sanitário no Paraguai cumpriram todas as exigências sanitárias, mas, fora do país, a responsabilidade e a competência são de cada autoridade reguladora", disse.

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Sobre a parceria com a Anvisa, a Dinavisa afirmou que não pretende comentar a atuação da agência brasileira.

"Os acordos entre as agências, assim como seus alcances, são de conhecimento público. Todas as informações podem ser obtidas no Brasil com a Anvisa ou em nossas redes sociais. Não vamos opinar sobre o trabalho de uma agência parceira", disse.

Anvisa e a Dinavisa assinaram um acordo em 20 de agosto para troca de informações e combate a produtos ilegais. O documento substitui um memorando firmado em março de 2024 e passa a valer por cinco anos.