“Como na profissão de actor é tudo mentira, quero que a minha vida seja totalmente real”, diz Diogo Belizário que se cruzou com Rodrigo Santoro e Adrien Brody e já trabalhou com Pedro Almodôvar

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Primeiro dia num set do Pedro Almodóvar. Foste muito confiante ou foste em modo: "Não posso estragar isto?".

Fui modo fã, basicamente, por dentro estava tipo: "Oh my God, meu Deus!". Claro, superprofissional e superresponsável, mas lembro-me quando ele saiu do carro e estava a entrar no set, eu estava sentado a olhar pra ele e estava tipo: "Oh, meu Deus, ele está aqui".

Hoje acolho um ator que vive literalmente entre dois mundos. E não, não é uma personagem de ficção científica, nem foi passageiro da Artemis. Diogo Belizário vive entre Lisboa e Madrid, entre o teatro e o audiovisual, entre o cinema de autor e as grandes plataformas. Basicamente, um homem que não gosta de estar quieto. Começou cedo a cruzar fronteiras, primeiro em férias, depois na vida, e acabou por construir uma carreira que passa por séries, novelas e cinema. Ainda recentemente, ví-lo na série "Marbella", da Movistar+, ou no último filme de um certo realizador chamado Pedro Almodóvar, coisa pouca, que estreou há um mês em Espanha. Começou no teatro e fez cinema, televisão, dobragens, locuções, até para o governo de Espanha, e performances que apresenta em cidades como Berlim, Madrid, Barcelona e Lisboa. Entre a disciplina e o improviso, entre o lançar-se à piscina e a construção minuciosa de personagens, o Diogo Belizário tem vindo a afirmar-se como um dos atores portugueses com percurso mais internacional, mas sem nunca largar o português nem o sotaque, espero. Olá, Diogo, e bem-hajas por teres aceitado este meu convite. Bem-vindo ao "Olá, Bom Dia, Muito Bem".

Olá, muito obrigado pelo convite.

É um grande prazer estar aqui a falar contigo, porque és torriano, eu não sabia. És torriense.

Torriense. Nasci em Torres, mas cresci sempre no Bombarral, que está lá ao lado, na zona oeste.

Que é uma região meio muito rural. O que ficou destas raízes, de ter crescido e das escolas?

Acho que agora é uma coisa que estou a valorizar bastante, já que vivo em cidades grandes e nunca gostei de viver em sítios pequenos como o Bombarral, mas agora é uma coisa que valorizo bastante é a tranquilidade. Tranquilidade e o fato de poder ter nascido com a natureza e perto do mar, que agora em Madrid não temos mar, portanto, é uma coisa que valorizo.

É muito continental, o clima e tudo.

Mas tem uma coisa que eu gosto: as fontes de Madrid, todas, desde a de Cibeles e por aí fora, todas funcionam.

Com imensa água. E nós trazemos pouco lá da água e temos fontes secas por toda a cidade. Faz uma imensa impressão isso. Eles lá fazem questão.

Sim. E com luzes também, que dependendo do momento, se Madrid ganha um jogo, põe as cores de Madrid, se for o orgulho gay, põe as cores gay, se for a festa de Madrid, põe da bandeira de Madrid.

Incrível. Ligam muito isso à água e às luzes, esse ambiente urbano. Eu gosto muito disso. Sabes do teu nome, sabias do teu nome? Sabes a história? Sabes que Belizário vem do latim e do grego e quer dizer guerreiro?

Não sabia. Por acaso não sabia. Sabia que vem do italiano, do latim.

Sim, Belizário, há 1500 anos, era um famoso general do Império Bizantino, conhecido como o último dos romanos, e que significa um bocadinho o que arremessa os dardos. É giro.

Tens jeito para jogar dardos nos cafés?

Por acaso não costumo fazer muito isso. Não costumo jogar muito dardos, mas gosto da ideia do guerreiro.

Ok. E também guerreiro, sim, vem quer de Belo, quer de belicismo, tem a ver com guerra, portanto tem a ver com guerreiro. Engraçado. E também tem um significado simbólico associado, quer dizer, uma personalidade discreta e observadora. Será que és?

Discreto não sei, mas observador, sim. Tímido, depende do contexto. Se me puseres em cima de um palco, não sou tímido, mas talvez numa situação social possa ser tímido, depende um bocado da situação.