A Cidade Universitária em Lisboa tornou-se hoje num palco de polarização entre apoiantes de Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, refletindo a divisão do país...
A Cidade Universitária, em Lisboa, transformou-se hoje num cenário de divisão profunda entre apoiantes de Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, espelhando assim a polarização que corre nas veias desta nação lusófona sul-americana.
Mais de 158 milhões de brasileiros foram hoje chamados às urnas para a segunda volta da eleição presidencial disputada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, num escrutínio altamente polarizado e em que os candidatos estão tecnicamente empatados nas sondagens
Do lado bolsonarista, emergido entre as cores da bandeira nacional - amarelo e verde - que se concentrou junto à zona da reitoria, os cânticos, em tom de revolta, pediam o "funeral de Lula [da Silva]" e provocavam o lado adversário dizendo que "quem ficar parado é 'petista' [apoiante do Partido Trabalhista (PT)] disfarçado".
Para os apoiantes do recandidato presidencial, que se concentravam mais na zona do relvado localizado entre a Torre do Tombo e a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, a presença de jornalistas fez arrebitar os ânimos, que se encontravam, à altura, calmos.
Um grupo de algumas dezenas de apoiantes, caracterizados por roupas vermelhas e bandeiras com a cara de Lula da Silva, começaram a gritar efusivamente "Lula ladrão, roubou o meu coração", em resposta às acusações feitas ao candidato do PT, que esteve preso no âmbito da Operação Lava Jato.
Do lado dos apoiantes de Flávio Bolsonaro, de forma geral, os eleitores pediram uma rutura com o que tem acontecido no Brasil, que se combata o crime organizado e pediram também mais prosperidade, um pedido que vai ao encontro da promessa eleitoral da criação do Ministério da Prosperidade.
O imigrante brasileiro em Portugal, que se identificou como "Costa" e tinha consigo um cartaz em forma de caixão, foi, em declarações à Lusa, mais longe e pediu que se "enterre o PT".
"Vamos hoje enterrar o PT. Este partido (...) destruiu o Brasil. As fações criminosas tomaram conta de todas as cidades brasileiras e acharam pouco e estão exportando para Portugal. Já tem, já tem criminosos em Portugal, fações criminosas instaladas em Portugal", declarou, de forma efusiva, acrescentando que "se se abrir as portas a Lula, eles também vão destruir Portugal".
Também Rute Miranda, que mostrava com orgulho as cores da bandeira nacional, pediu que, de "forma coerente, se dê uma oportunidade àquilo que é novo".
A apoiante de Bolsonaro reconheceu que os próximos quatro anos serão pouco tempo para "consertar o Brasil, porque está em calamidade", mas referiu que, como patriotas, não desistem do próprio país.
Do lado "vermelho" da Cidade Universitária, as jovens Carla Costa e Juliane Lima dizem ter votado em Lula porque lutam "pela Democracia" e pelos direitos das mulheres.
Independentemente do resultado da noite de hoje, as jovens imigrantes em Portugal desejam que a Democracia seja respeitada, assim como a Constituição e os Direitos Humanos.
Já Cátia Rossana, vestida com uma t-shirt vermelha com a cara de Lula da Silva, explicou que, a seu ver, esta eleição tem um impacto internacional muito grande.
"A eleição tem um peso muito importante, porque (...) não é a gente contra o Flávio, é a gente contra o Trump. E o Trump está destruindo o mundo, não é só o Brasil, ele não quer só pegar o Brasil, está destruindo o mundo, a gente viu o que ele fez na Venezuela", alertou.
A 'petista' alertou ainda para o que tem acontecido na Amazónia, que para si merece ser protegida, pois é o "pulmão do mundo", e reiterou que os brasileiros só querem a sua soberania garantida, sem intervenções externas.
Os eleitores, de um modo geral, questionados pela Lusa, caracterizaram a votação da segunda volta como mais organizada que a primeira e disseram que decorreu tranquilamente.
Na primeira volta, realizada em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
O Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar.
Em Portugal estão recenseados mais de 134.000 brasileiros que deverão votar obrigatoriamente nas eleições presidenciais de hoje, nas mesas de voto disponíveis no país, que estarão abertas das 08:00 às 17:00.
De acordo com a legislação brasileira, o voto é obrigatório para todos os cidadãos alfabetizados, dos 18 aos 70 anos, mesmo que estejam emigrados.




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