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28.jun.2026 às 15h30

Anna Virginia Balloussier

Que tipo de homem você é?

Que tal começar por sete perfis masculinos que, segundo o pastor Silas Malafaia, nenhum cabra que se preze deve espelhar?

"Homem amamãezado" é um deles. "Por que tem tanta piada de sogra?" Freud explica: formado em psicologia, o pastor segue uma linha comum na psicanálise ao teorizar sobre "as mães que castram os filhos, criam os filhos para si". Aí já era. "Cresce um homem inseguro que tem que perguntar tudo pra mãe. E aí, irmão, vai ter problema."

Outros traços negativos: ser ressentido, inseguro, linguarudo, invejoso, estressado, detestável e pecador contumaz.

Homens são maioria para ouvir o pastor pregar, algo incomum na sede da Advec (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), na zona norte do Rio. Em geral, são as irmãs que dominam os cultos.

A Conferência Brahvus, afinal, é para eles —esse "HV" no miolo da palavra remete a Homens Vencedores. Realizado no último fim de semana e acompanhado pela Folha no domingo (21), o encontro é a resposta conservadora a um problema ideologicamente bem ecumênico, que atinge tudo quanto é homem na sociedade.

Outras igrejas têm projetos parecidos, do IntelliMen, da Igreja Universal, ao Homens Invencíveis, da Renascer em Cristo.

Sim, também os "homens de Deus" têm sofrido com a chamada crise da masculinidade. Se o diagnóstico é o mesmo, as igrejas evangélicas oferecem uma percepção própria sobre como foi que chegamos até aqui e o que fazer a respeito.

"Sabe, ao tirá-lo do seu papel, o homem ficou perdido", diz Malafaia à reportagem antes de subir ao púlpito. Ele reconhece que "as mulheres eram massacradas" e avançaram um bocado. Bacana. Mas, quando o homem "perdeu esse papel de protetor, de primeiro provedor", deu no que deu, afirma. "Ele torna a violência contra essa sociedade que o rejeitou, de maneira inconsciente."

O pastor vê a família tradicional sob ataque de ideologias que desestabilizam a autoridade masculina para fragilizar esse pilar da sociedade. É o tal do "marxismo cultural". Essa tese, popular entre conservadores, acusa a esquerda de se infiltrar nas artes, na imprensa e em outras instituições para minar a civilização ocidental por dentro.

Malafaia questiona: o que poderia o sujeito diante de uma cultura que prega a autossuficiência feminina? "Você cria mulheres dizendo, ‘ah, você não precisa de homem’. O homem é a mulher e sua prole. Isso é a família nuclear, que sustentou a civilização até aqui."

São mensagens que ricocheteiam entre os fiéis já na parte externa da igreja. Alguns ocupam mesas de sinuca e ping-ping, outros tiram selfies no letreiro "HV".

Uma tenda simula os primeiros anos do cristianismo. No interior, um pregador cita próceres da fé protestante. Malafaia entra numa lista com o britânico John Wesley e o americano Billy Graham.

Ele pergunta qual é o nível de relacionamento com Deus de cada um ali. Deus é que nem o porteiro ou a atendente de padaria, para quem você fala bom dia e não pensa mais nisso ao longo do dia? Ou é como um casamento, em que "você dorme com ele, acorda com ele e ama estar com ele novamente"?