Durante décadas, a Visa sempre foi conhecida como uma empresa mais voltada ao público consumidor com a tecnologia de pagamento por trás das compras com cartões. Hoje, a empresa evoluiu, virando a base para um conjunto de soluções que vai muito além do cartão.…
Durante décadas, a Visa sempre foi conhecida como uma empresa mais voltada ao público consumidor com a tecnologia de pagamento por trás das compras com cartões. Hoje, a empresa evoluiu, virando a base para um conjunto de soluções que vai muito além do cartão. Foi seguindo essa lógica que a Visa levou a mesma jornada do mundo B2C para o B2B, oferecendo serviços financeiros que solucionam desafios do universo das empresas — o maior e, ao mesmo tempo, um dos que menos usa o cartão quando se fala em transações.
"Eu costumo definir a minha área na Visa como a startup dentro da companhia", diz Marcela Pinori, vice-presidente de Soluções Comerciais da Visa do Brasil. Ela entrou na companhia há 13 anos para atuar no segmento de soluções de soluções para empresas e viu de perto um descompasso que persiste: a digitalização dos serviços financeiros da pessoa física não chegou aos processos de pagamento das empresas no mesmo nível. "Ainda tem muita operação manual", afirma.
A guinada foi trocar o produto pela jornada. "A gente começou a tirar um pouco o nosso viés exclusivo de cartões e falar mais efetivamente de inovação em todos os processos que envolvem uma transação de pagamento", explica. Na prática, significou mapear onde dói e construir soluções para resolver essas questões: contas a pagar, contas a receber, tesouraria, focando no mundo de gerenciamento financeiro seja de uma pequena empresa, passando pelas médias e até grandes indústrias e corporações.
O reposicionamento da companhia fica mais claro quando se olha para o que ela vem apresentando no B2B nos últimos anos. Marcela cita a parceria com a Celero, startup de gestão financeira que recebeu investimento da Visa. A plataforma consolida os valores que o empreendedor recebe e paga por boleto, Pix e duplicata, agregando e enriquecendo dados para gerar insights acionáveis tanto para as PMEs quanto para as instituições financeiras.
Conforme explica a executiva, esse tipo de inovação, que vai além de pagamentos e utiliza dados de maneira estratégica, beneficia instituições como o Sicredi, que utilizou o Organizador PJ, solução de Business Financial Management (BFM) da Celero para aprovar mais milhões em crédito a empreendedores clientes da cooperativa.
A mesma lógica aparece na parceria com a ConectCar para pagamento de pedágio na modalidade free flow, voltada a transportadoras e caminhoneiros com mais segurança, capilariedade, controle e tecnologia, e no Kob Visa, solução criada pela Kobold para os fluxos entre as áreas comercial e financeira de grandes empresas. Em um ano, a Kob Visa, por exemplo, cresceu 30 vezes em volume de operações, atraindo novos clientes todos os meses em setores como siderurgia, papel e celulose e bens de consumo.
"Hoje frisamos que a Visa é uma empresa de tecnologia com foco em movimentação de dinheiro, que também traz soluções para empresas de todos os tamanhos", resume Marcela.
A dimensão da aposta no B2B aparece nos números. O segmento de Commercial & Money Movement Solutions mira um mercado global estimado em US$ 200 trilhões. No último ano fiscal da multinacional, o volume de pagamentos entre empresas cresceu 7%, chegando a US$ 1,8 trilhão e abocanhando uma fatia considerável dos US$ 14 trilhões movimentados globalmente pela empresa.
O esforço em desenvolver um leque abrangente de soluções financeiras para o B2B está relacionado com a variedade de clientes atendidos. Segundo Marcela, cada porte de negócio e cada vertical trazem suas próprias peculiaridades. Para os de menor tamanho, o assunto é crédito. "A gente para de falar que o cartão é só um método de pagamento. Para esse público específico, o prazo de 30 dias ou o limite que ele consegue, vira fôlego de caixa", pontua.
Dentro da nossa estratégia de consultoria, temos uma solução chamada VMTS (Visa Merchant Transaction Score), score para PMEs que usa GenAI e machine learning para avaliar vendas, frequência e consistência de caixa como camada complementar à análise bancárias. "O banco trabalha muito com histórico, mas não necessariamente com o dado vivo do que ele tem de recebimento para fazer a modelagem de crédito. ", diz.
O cartão que ninguém vê
De olho nos processos internos de grandes companhias, a Visa também apostou em outros modelos. Um deles é o Visa Commercial Pay, em que empresas podem emitir cartões virtuais sob demanda e definir as regras de uso, com teto de gasto e restrição de categorias (hotel e alimentação, por exemplo) direto na carteira digital. "Elimina a questão do reembolso, porque automaticamente você já pode mandar a informação, já printa a foto do recibo e já envia no próprio aplicativo", descreve Marcela.
O terreno é fértil: as viagens corporativas movimentam R$ 15 bilhões por ano no Brasil, segundo a ABRACORP, com apenas 5% das transações digitalizadas. Mas o mesmo mecanismo pode ir além e chegar em diversos setores. O passo seguinte, já em desenvolvimento, é gerar cartões virtuais de dentro do ERP das empresas para qualquer pagamento a fornecedores.
"É uma transação invisível", resume a executiva, traçando um paralelo com a experiência fluida dos aplicativos de mobilidade. A diferença é que, nesse caso, o time de contas a pagar não precisa sair do sistema, enquanto a conciliação é feita de forma automatizada. "E dá para fazer mais. Quando a gente fala de evolução de agentes de IA, isso vai para um nível de automatização exponencial", completa.
Para os próximos anos, a frente B2B da empresa está olhando para além do setor privado. Segundo Marcela, modelos de precificação, integração com ERP e limites de ticket — ou seja, tudo o que foi desenhado para o mundo de empresas privadas — também se aplicam ao setor público, onde a oportunidade de digitalização é ainda maior, levando agilidade, transparência, segurança e conveniênciapara entidades governamentais e cidadãos brasileiros




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