Dois anos depois de o Brasil recuperar a certificação de país livre da transmissão endêmica do sarampo, o reaparecimento de casos acendeu um alerta para a importância de manter altas as coberturas vacinais. Segundo o Ministério da Saúde, o país contabiliza 24 casos confirmados em 2026. Em meio ao cenário de aumento de casos nas Américas, a pasta intensificou as ações de vacinação, com mobilização nacional para o Dia D marcado para 22 de agosto.
O advogado e professor Maurício Rands está entre as vozes que defendem uma mobilização em favor da vacinação e do enfrentamento às informações falsas sobre os imunizantes. “O Brasil tem uma história de confiança na vacinação e construiu um dos maiores programas públicos de imunização do mundo. Precisamos resgatar essa tradição e fazer um debate baseado na ciência e nas evidências, porque quando a cobertura vacinal cai, doenças que estavam controladas encontram espaço para voltar a circular”, afirma. Em meio ao avanço da doença, o governo do presidente Donald Trump anunciou mudanças nas recomendações federais de vacinação infantil, reduzindo de 17 para 11 o número de imunizações recomendadas universalmente e defendendo, entre outras medidas, a separação da vacina MMR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. As mudanças foram criticadas por entidades médicas e especialistas em saúde pública, que alertam para o risco de aumentar a hesitação vacinal e deixar crianças mais vulneráveis a doenças evitáveis. Para Rands, o momento exige que a defesa da vacinação seja tratada também como enfrentamento à desinformação. “Vacinação é uma responsabilidade coletiva. Quando informações sem respaldo científico fazem pessoas deixarem de se proteger, o efeito não fica restrito a uma decisão individual. Precisamos incentivar as famílias a procurar os serviços de saúde, conferir a situação vacinal e buscar informação em fontes confiáveis. Defender a vacina é defender uma política pública que já salvou milhões de vidas”, destaca.




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