O dólar à vista exibiu valorização leve frente ao real nesta sexta-feira, em um movimento que foi perdendo tração ao longo do dia. O ambiente externo menos favorável a ativos de risco pode ter explicado esse viés mais desfavorável, em meio a dúvidas sobre a p…

O dólar à vista exibiu valorização leve frente ao real nesta sexta-feira, em um movimento que foi perdendo tração ao longo do dia. O ambiente externo menos favorável a ativos de risco pode ter explicado esse viés mais desfavorável, em meio a dúvidas sobre a política monetária americana e aos preços do petróleo.

No Brasil, pesquisas eleitorais voltaram a mostrar empate técnico entre os principais candidatos à Presidência, não alterando o quadro já desenhado nos últimos dias. Apesar de o BC ter feito leilão de linha de US$ 1 bilhão, o pregão foi marcado por uma negociação mais baixa do que a média dos últimos dias.

Encerrado o pregão, o dólar à vista fechou em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,1440, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,1224 e batido na máxima e R$ 5,1658. Na semana, o dólar teve alta de 0,37%. Já o euro comercial teve hoje apreciação de 0,18%, a R$ 5,9090.

No exterior, perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, oscilava perto da estabilidade (-0,05%), aos 100,196 pontos.

O dólar à vista abriu o pregão de hoje perto da estabilidade, mas foi ganhando tração frente ao real ao longo da manhã. A dinâmica no exterior foi piorando, com os rendimentos dos Treasuries em alta, ainda que sem um motivo aparente. Na parte da tarde, no entanto, houve uma devolução da dinâmica observada pela manhã.

No caso específico do cenário local, a pesquisa Datafolha não alterou a dinâmica dos agentes. Como aponta o J.P. Morgan, em relatório, a disputa continua bastante acirrada. “As pesquisas mais recentes mostraram uma melhora no desempenho de Flávio Bolsonaro, e a percepção dos participantes do mercado parece estar se deslocando para um cenário em que a perspectiva fiscal provavelmente não se deteriorará de forma significativa no curto prazo em nenhuma das duas hipóteses.”

Segundo os estrategistas do banco americano, esses fatores têm se refletido na resiliência do real e no comportamento dos ‘risk-reversals’, que vêm caindo fortemente em direção ao lado negativo, à medida que a demanda por proteção contra uma alta do câmbio diminuiu e os investidores passaram a se concentrar mais em estruturas que oferecem exposição alavancada a uma extensão adicional da queda. “Por enquanto, dado que nossa visão continua sendo a de uma eleição muito competitiva, a ausência de prêmio de risco nos mantém com uma exposição em real no portfólio mais neutra (market weight).”

Ning Sun, estrategista sênior da State Street Markets, diz que o cenário global permanece favorável às estratégias de ‘carry’. “Acreditamos que elas devam continuar apresentando bom desempenho, a menos que ocorra uma deterioração significativa nas expectativas de crescimento global ou no apetite por risco”, diz. “No entanto, o Brasil entra em um período no qual os riscos eleitorais provavelmente superarão a atratividade do ‘carry’. Embora as taxas de juros elevadas possam ajudar a limitar a pressão de baixa, é pouco provável que impeçam a venda do real caso os investidores passem a demonstrar maior preocupação com o resultado das eleições”, acrescenta.

Em relação ao dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e do dólar à vista, hoje há uma pressão menor, com o spread da taxa em torno de 1,8 ponto percentual, abaixo dos quase 2 pontos observados ontem. Apesar da melhora pela manhã, em especial após o leilão de linha, na partde da tarde, o casado voltou a piorar. “Ainda não está super calmo. Só que agora entramos nos 15 dias finais do mês, fim de trimestre, é de se esperar um ambiente pior para o casado”, diz um broker.