IPCA-15, considerado prévia da inflação oficial, registrou deflação de 0,40% em agosto
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26.ago.2026 às 10h08 Atualizado: 26.ago.2026 às 17h23
O dólar fechou em alta de 0,25%, a R$ 5,152, nesta quarta-feira (26), com investidores reagindo a dados de inflação no Brasil e nos EUA. Por aqui, o IPCA-15 veio abaixo do esperado, enquanto, nos Estados Unidos, a inflação permaneceu acima da meta do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
O comportamento doméstico da moeda americana acompanhou o do exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a seis outras divisas fortes, avançou 0,23%, a 99,15 pontos.
O resultado brasileiro reforçou as apostas de cortes na taxa básica, a Selic, o que tende a aumentar o apetite dos investidores por risco. Nos EUA, por outro lado, o índice PCE alimentou as apostas em altas dos juros, fortalecendo o dólar.
A Bolsa encerrou estável, sem variação em relação ao pregão anterior, aos 174.586 pontos.
No Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação em agosto, ao registrar taxa de -0,4%, apontaram dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quarta.
A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos. O IPCA-15 caiu mais do que o previsto pelo mercado financeiro, cuja mediana das estimativas era de -0,32%, conforme a agência Bloomberg.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,24% até agosto, abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA.
A queda reforçou a expectativa de cortes na taxa de juros brasileira, a Selic, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC, em setembro.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, o resultado é positivo para a Bolsa. "A leitura é que o dado é um fator de apoio à expectativa de ciclo de cortes de juros mais consistente e beneficia, especialmente, setores mais sensíveis à taxa, como varejo e construção".
Nos EUA, o índice de preços PCE subiu 3,7% nos 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho, informou o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio durante a manhã. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE.
A inflação anual dos Estados Unidos permaneceu bem acima da meta de 2% do Federal Reserve, o que será analisado pelo banco central americano para tomar a decisão de manter ou aumentar a taxa de juros do país.
Participantes do mercado estão precificando um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até o final do ano, de acordo com dados da LSEG.
"O resultado mostra que a inflação pelo PCE segue rodando bem acima da meta de 2% do Fed, com o núcleo mantendo ritmo elevado na comparação anual. O resultado, contudo, não deve alterar a leitura do mercado, que segue apostando em manutenção de juros na reunião de setembro, com uma possível alta ficando para outubro ou dezembro", diz Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Para Araújo, da Zero Markets Brasil, o dado não traz surpresa negativa, mas confirma que a inflação americana segue pressionada, "mantendo o banco central sem espaço para cortes de juros mais agressivos no curto prazo e sustentando o dólar firme".




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