Ortopedista Kaleu Nery explica quando dor persistente, perda de força e dificuldade para movimentar o braço precisam de avaliação

Sentir dores após um treino mais intenso pode ser uma resposta natural do organismo ao esforço físico.

No entanto, quando o desconforto se concentra no ombro, dura vários dias ou interfere na realização de movimentos simples, é importante investigar a causa para evitar o agravamento de possíveis lesões.

Segundo o ortopedista Dr. Kaleu Nery, nem toda dor após a atividade física deve ser considerada normal.

“É esperado que exista um desconforto muscular leve após atividades físicas mais intensas ou diferentes da rotina. No entanto, quando a dor é localizada no ombro, persiste por vários dias, limita os movimentos ou piora progressivamente, ela deixa de ser considerada apenas uma adaptação ao exercício e merece atenção”, afirma.

De acordo com o especialista, uma das principais diferenças entre a dor muscular comum e uma possível lesão está na evolução dos sintomas.

“A dor muscular costuma ser difusa, melhora gradualmente em poucos dias e não impede os movimentos. Já uma lesão do ombro pode provocar dor localizada, perda de força, dificuldade para levantar o braço, sensação de estalos, instabilidade ou limitação funcional. Esses sinais sugerem que é necessário investigar a causa”, explica.

Entre os praticantes de atividade física, as alterações mais frequentes incluem tendinopatias do manguito rotador, bursite, síndrome do impacto, lesões parciais ou completas dos tendões e inflamações provocadas pelo excesso de carga.

“Na maioria das vezes, essas condições estão relacionadas ao excesso de carga, técnica inadequada, falta de recuperação ou desequilíbrios musculares. Em atletas, também podem surgir lesões específicas causadas por movimentos repetitivos acima da cabeça”, destaca Dr. Kaleu Nery.

O médico ressalta que sentir dor não significa, obrigatoriamente, interromper toda a prática esportiva.

A conduta depende do tipo e da intensidade do problema apresentado pelo paciente.

“Depende da causa da dor. Em muitos casos, é possível adaptar temporariamente a atividade física enquanto o tratamento é iniciado. A interrupção completa nem sempre é necessária, mas continuar treinando com dor importante pode agravar algumas lesões. Essa decisão deve ser individualizada após avaliação médica”, afirma.

Segundo o especialista, alguns sinais merecem maior atenção.

A recomendação é procurar avaliação quando a dor persistir por mais de alguns dias, limitar a prática esportiva, interferir nas atividades cotidianas, estiver acompanhada de perda de força ou não apresentar melhora mesmo com repouso relativo.

Identificar precocemente o que está provocando o incômodo também pode evitar que o paciente continue submetendo uma estrutura lesionada ao mesmo tipo de esforço durante os exercícios.

“O diagnóstico precoce costuma permitir tratamentos mais simples e melhores resultados, reduzindo o risco de evolução para lesões mais complexas”, conclui Dr. Kaleu Nery.