Marcas na pelagem ajudam a identificar tamanduás-bandeira individualmente Alessandra Bertassoni À primeira vista, dois tamanduás-bandeira podem parecer praticamente iguais. Mas basta observar alguns detalhes com atenção para encontrar diferenças entre eles. O…
Marcas na pelagem ajudam a identificar tamanduás-bandeira individualmente — Foto: Alessandra Bertassoni
À primeira vista, dois tamanduás-bandeira podem parecer praticamente iguais. Mas basta observar alguns detalhes com atenção para encontrar diferenças entre eles. O formato das faixas no dorso, o desenho das manchas nas patas e até a maneira como determinados padrões começam e terminam podem ajudar pesquisadores a descobrir se uma fotografia mostra um animal já registrado anteriormente ou um novo indivíduo.
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A partir dessa ideia pesquisadores criaram um catálogo visual das características da pelagem do tamanduá-bandeira. O trabalho, publicado na revista científica Mammal Research, organiza diferentes padrões encontrados na espécie e pode tornar mais precisa a identificação de animais fotografados na natureza.
A proposta é especialmente útil para pesquisas que utilizam armadilhas fotográficas. Em vez de apenas registrar a presença de um tamanduá em determinada área, as imagens podem ajudar a acompanhar indivíduos ao longo do tempo.
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O que os pesquisadores procuram na fotografia
Não existe uma única marca que funcione como um código exclusivo. A identificação acontece pela combinação de vários detalhes.
Entre os principais estão as faixas claras e escuras do dorso, as manchas próximas ao cotovelo e o chamado bracelete, uma marca localizada nas patas dianteiras.
O formato, a espessura, a curvatura, a distância entre os desenhos e a maneira como eles se encontram também entram na comparação. Características do pulso, do pé traseiro e da crista podem complementar a análise.
“A ‘impressão digital’ de reconhecimento do tamanduá-bandeira é a identificação de um conjunto de padrões únicos de pelagem que existem nos diferentes indivíduos. Na prática, é necessário treinar o olho do observador para todo esse conjunto, porque os tamanduás-bandeira podem, à primeira vista, parecer muito semelhantes”, explica Alessandra Bertassoni, bióloga e pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).
Identificação acontece pela combinação de vários detalhes — Foto: Instituto de Conservação de Animais Silvestres
Por isso, a comparação não deve ser feita olhando apenas para uma mancha ou uma faixa. O que dá segurança ao pesquisador é encontrar uma combinação de características que se repete nas fotografias.
De acordo com Gabriel Massocato, biólogo do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), para identificar um animal é preciso observar várias características na pelagem e, assim, usar a combinação desses padrões únicos.
“A espessura e curvatura das faixas brancas e a faixa escura no dorso, a forma da mancha na região do cotovelo, bracelete, punho na pata dianteira e também a coloração do dorso do pé traseiro são importantes”.
Uma fotografia precisa mostrar mais do que a espécie
O método depende diretamente da qualidade dos registros. Uma câmera pode fotografar um tamanduá, por exemplo, mas isso não significa que a imagem será suficiente para dizer qual indivíduo apareceu diante da lente.
Posição do animal, ângulo da câmera, lado do corpo registrado, iluminação, nitidez e até obstáculos que escondam parte da pelagem podem dificultar a identificação.
Para desenvolver o catálogo, os pesquisadores analisaram 553 registros de tamanduás-bandeira obtidos por armadilhas fotográficas no Pantanal e no Cerrado. Depois de aproximadamente 120 horas de análise, 36 imagens foram consideradas adequadas para representar os diferentes padrões no catálogo.




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