Ex-deputado federal perdeu cargo de escrivão após faltar por mais de 30 dias seguidos depois de ter o mandato na Câmara cassado. Condenado pelo STF, político vive nos EUA desde 2025.

https://p.dw.com/p/5MzNFAnúncioO Ministério da Justiça oficializou nesta segunda-feira (21/09) a demissão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos há um ano e meio, do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF) por abandono de cargo.

A corporação alegou que Eduardo Bolsonaro faltou ao serviço de forma injustificada por período superior a 30 dias consecutivos. A demissão foi publicada no Diário Oficial da União, assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

A decisão já havia sido tomada em julho, após um processo administrativo disciplinar conduzido pela Polícia Federal. O processo foi então encaminhado ao Ministério da Justiça, para formalização.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil no primeiro semestre de 2025 e se mudou para os EUA. Em dezembro, a Câmara dos Deputados cassou o seu mandato, medida prevista na Constituição para o congressista que faltar a um terço das sessões ordinárias do ano – salvo licença ou missão especial.

Sem mandato de deputado federal, ele teria de voltar ao posto de escrivão da PF no Rio de Janeiro, o que não aconteceu, por isso a decisão da PF. O corregedor regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro determinou ainda que Eduardo entregasse a carteira funcional e a arma.

Além de cassado e demitido, o ex-deputado também já foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho, a Primeira Turma da corte o condenou por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto por coação no curso do processo, por sua atuação nos EUA para pressionar o Judiciário brasileiro e interferir no julgamento do pai, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Nos EUA, Eduardo Bolsonaro passou a circular entre parlamentares, influenciadores e autoridades ligadas à ultradireita. Sua articulação incluiu campanhas públicas contra decisões do STF e em defesa de sanções americanas contra autoridades brasileiras.