Eleitores escolhem deputados, parte do Senado e governadores; possível avanço democrata pode ampliar a fiscalização e repercutir nas relações com o Brasil
Eleitores escolhem deputados, parte do Senado e governadores; possível avanço democrata pode ampliar a fiscalização e repercutir nas relações com o Brasil
Curtir 10 Compartilhar WhatsApp Facebook
Ouça esta matéria· 6 min Voz gerada por inteligência artificial
Cerca de 210 milhões de eleitores dos EUA (Estados Unidos) vão às urnas na próxima terça-feira (3) para escolher os 435 integrantes da Câmara dos Representantes, 35 dos 100 senadores e governadores de 36 dos 50 estados.
O resultado pode definir o espaço político do presidente Donald Trump no Congresso. Se os democratas conquistarem maioria em uma ou nas duas Casas, poderão limitar a agenda do governo e ampliar a fiscalização, com possíveis repercussões também para o Brasil.
A oposição tem questionado a Casa Branca sobre supostas interferências de Trump no Brasil, entre elas o financiamento dos EUA para campanhas contra o STF (Supremo Tribunal Federal).
Disputa pelo Congresso Atualmente, os republicanos têm maioria apertada nas duas Casas legislativas. Esse controle dá a Trump maior liberdade para implementar suas políticas, enquanto uma mudança na composição do Congresso pode ampliar os obstáculos à agenda do presidente.
Pesquisas de opinião apontam vantagem para os democratas. Entre os fatores associados ao cenário estão o aumento do custo de vida e a inflação, que foi pressionada pela alta dos combustíveis após as restrições à navegação no Estreito de Ormuz, em meio à guerra iniciada por Trump contra o Irã.
A desaprovação ao presidente dos EUA aumentou nos últimos meses e chegou a 61%, ante 36% de aprovação, segundo uma média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times.
Em meio ao cenário desfavorável, Trump prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto do país se os republicanos vencerem as disputas para a Câmara e o Senado. Nos últimos dias, o presidente também viajou pelo país em campanha para candidatos aliados.
Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, organização que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA, avalia que o resultado definirá o grau de controle do Legislativo sobre Trump. “Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização”, explicou à Agência Brasil.
Abraão acrescentou que o controle do Senado permite confirmar ou rejeitar a nomeação de autoridades e juízes. “Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido”, completou o diretor da Brazil Office Alliance.
Trump também tem lançado dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral dos EUA. Depois de perder para Joe Biden em 2020, acusou a eleição de ter sido fraudada, mas não apresentou provas. Na última semana, questionado por jornalistas, afirmou que respeitaria o resultado “se forem eleições honestas”.
Política externa Uma eventual vitória democrata pode levar a mudanças na política externa dos EUA, especialmente em relação à guerra no Irã. Abraão pondera, porém, que a Presidência tem ampla margem de atuação nessa área, mesmo sem maioria no Parlamento. “Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”, destacou.
Possíveis efeitos para o Brasil Uma perda de maioria de Trump em uma ou nas duas Casas pode repercutir nas relações entre os EUA e o Brasil, marcadas pelo tarifaço e por atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Abraão avalia que os democratas podem ampliar a investigação sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA e expor suas conexões com o governo Trump.
“Parlamentares democratas já vêm cobrando explicações [sobre supostas interferências de Trump no Brasil]. O ponto central seria esclarecer se instrumentos do Estado americano foram utilizados para favorecer um grupo político estrangeiro, por quais razões e sob quais fundamentos”, argumentou.
O especialista afirma que uma investigação parlamentar poderia apurar a denúncia contra a Meta, proprietária do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro durante a eleição no Brasil.
A big tech justificou como “problemas técnicos” a redução do alcance nas redes sociais de contas ligadas ao candidato Lula, conforme alegou a empresa.
“Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas. Isso não é automático, depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência e disputas judiciais”, afirmou Paulo Abraão, também professor de direito.
Nas últimas semanas, congressistas democratas enviaram cartas à Casa Branca cobrando explicações sobre temas que vão da atuação da Meta nas eleições brasileiras à decisão de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário