João Campos questiona Raquel Lyra sobre fechamento de 1.200 leitos durante debate em Caruaru - Arthur Botelho/Folha de Pernambuco O fechamento de 1,2 mil leitos na saúde de Pernambuco foi questionado pelo ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) à governadora Raquel Lyra (PSD) no segundo bloco do primeiro debate com os candidatos ao governo do estado.
Promovido pela Rádio Cidade 99.7 FM, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o debate conta com o ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL). Na segunda etapa, os candidatos também debateram temas relacionados à superação da pobreza e à segurança pública.
“Durante o seu governo, 1.200 leitos de hospitais pernambucanos foram fechados, 150 mil cirurgias deixaram de ser realizadas, dois hospitais foram fechados. O que você diria para uma mãe de família que precisa de atendimento nesse momento para justificar o fechamento de 1.200 leitos na saúde de Pernambuco?”, perguntou João Campos.
Raquel Lyra rebateu mencionando os investimentos realizados em sua gestão e afirmou que recebeu a saúde pública “absolutamente sucateada” da administração anterior.
Entre os projetos destacados pela governadora estão as obras no Hospital da Restauração, com investimento de R$ 130 milhões; a construção do novo hospital de trauma no Agreste de Pernambuco, também com investimento de R$ 130 milhões; quatro hospitais da mulher, em construção, com entrega prevista para o início do próximo ano; e o Hospital Mestre Dominguinhos, também em construção, com entrega prevista para julho do próximo ano.
“A saúde é coisa séria e não adianta ficar fazendo discurso. E ele está totalmente dissociado da realidade. O que a gente tem que fazer é um trabalho sério que exige maturidade, experiência, de saber que as coisas não se resolvem da noite para o dia, mas que todo dia a gente precisa andar para frente”, afirmou.
Na réplica, João Campos mencionou projetos realizados na área da saúde durante a gestão dele como prefeito do Recife e criticou Raquel Lyra por, segundo ele, continuar fazendo referências ao passado.
“Eu não fico reclamando do passado, falando do passado. Em todos os momentos de resposta, a candidata sempre fala do passado. A gente tem que falar do futuro e ter a capacidade de fazer. É por isso que vou fazer aqui em Caruaru o Hospital da Criança do Agreste, como fiz no Recife. Vamos fazer o maior hospital da história de Pernambuco, o Hospital Geral Metropolitano”, disse.
Na tréplica, Raquel Lyra criticou a gestão de João Campos no Recife e citou problemas na saúde municipal.
“Quem ouve o candidato falar pensa que a saúde pública do Recife é uma maravilha. Policlínica Gouveia de Barros fechada há dois anos sem ser entregue. A gente está trabalhando de maneira séria, com compromisso, e ele falta com a verdade quando fala que a gente não está investindo na saúde, que não começou a trabalhar e que a gente simplesmente fez mais do mesmo”, destacou.
A governadora também voltou a mencionar a situação da saúde estadual que, segundo ela, foi encontrada no início de sua gestão.
“Todo mundo sabe como recebemos a saúde pública do governo do PSB, do qual ele foi chefe de gabinete e que não investiu R$ 2 milhões em manutenção do Hospital da Restauração. Agora a realidade da saúde pública está mudando. Os leitos fechados eram leitos Covid, e todo mundo sabe que depois da Covid precisava fechar leito. E agora estamos entregando leito, já entregamos 600 e chegaremos a mais de mil leitos”, declarou.
Superação da pobreza Em seguida, Raquel Lyra perguntou a Ivan Moraes sobre o projeto dele para a redução da pobreza, mencionando o programa Mães de Pernambuco e a implantação de cozinhas comunitárias e solidárias na gestão.
Ao responder, o candidato lembrou que as cozinhas solidárias são uma política defendida pelo PSOL e uma proposta do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e destacou os problemas ainda enfrentados pelo estado.
“Pernambuco tem quase cinco milhões de pessoas na faixa de pobreza. Ainda tem um milhão de pessoas passando fome. A gente precisa mudar a nossa forma de desenvolvimento, e é por isso que eu estou defendendo um desenvolvimento que vem de baixo para cima, que é coisa que nunca foi feita. É a gente entender que o recurso, o financiamento, a assistência técnica têm que privilegiar as pessoas que estão no campo, plantando comida, e não a gente privilegiar recurso de isenção e benefício fiscal para grandes empresas virem trazer emprego ruim e dano ao meio ambiente da gente”, afirmou.
Segurança pública Para finalizar o bloco, o candidato Ivan Moraes questionou a João Campos sobre a falta de segurança pública no estado. "Recife, no seu governo de seis anos, bateu recorde de feminicídio, com 15 feminicídios em 2025. Por que o senhor não conseguiu resolver esse problema no nosso município?", perguntou Moraes.
Na resposta, o ex-prefeito do Recife fez críticas à atual gestão estadual, afirmando que o estado tem delegacias das mulheres que permanecem fechadas por 24 horas e uma rede que não se expande. João Campos também destacou ações realizadas durante a gestão dele na capital e apresentou propostas para ampliar a estrutura de atendimento às mulheres em situação de violência.
“Eu tenho o compromisso de duplicar a rede de delegacias das mulheres no nosso estado. Com isso, todas as cidades com mais de 60 mil habitantes receberão uma delegacia 24 horas de atendimento a mulheres em situação de violência. Fizemos um grande trabalho no Recife. A parte da cidade foi feita e bem feita. Construímos oito centros especializados para atendimento, criamos política de crédito, de acesso à formação profissional, de acompanhamento jurídico para garantir segurança e proteção às mulheres. E nós vamos fazer o Pacto pela Vida das Mulheres em Pernambuco”, afirmou.




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