Após estrear em 2025, a Casa Acaso retorna à Festa Literária Internacional de Paraty O post Em sua segunda edição, Casa Acaso recebe lançamento de Heranças de Orides Fontela, na Flip apareceu primeiro em Revista Cult.
Após estrear em 2025, a Casa Acaso retorna à Festa Literária Internacional de Paraty. A proposta curatorial dos encontros que o espaço promove entre os dias 22 e 25 de julho pretende fazer jus ao “acaso” que dá nome à casa, ao “se alimentar das configurações inéditas que só a convergência da Flip permite, fazendo do imprevisto a nossa própria engrenagem”, conforme destaca Julie Fank, escritora e criadora da Esc. Escola de Escrita de Curitiba.
Julie Fank assina a curadoria da casa ao lado do escritor e jornalista Octávio Santiago, autor de Só sei que foi assim: A trama do preconceito contra o povo do Nordeste, lançado no ano passado pela Autêntica. Unindo a experiência da Esc. Escola de Escrita e da Ocupação Literária de Natal, do Rio Grande do Norte, encabeçada por Santiago, os dois curadores afirmam em conjunto a intenção de “descentralizar de fato o mapa da conversa literária”.
“A discussão que queremos sustentar não é apenas sobre onde a literatura nasce, mas sobre os caminhos que ela percorre para ser lida. Queremos interferir na dinâmica de Paraty tensionando esse debate, provocando cruzamentos improváveis que insistem em criar caminhos próprios inventando sua própria centralidade à revelia do mercado. Queremos reforçar a capacidade de fraturar o discurso oficial a partir de outros sotaques, outras geografias e outras formas de narrar”, afirmam
Com 29 atrações, entre mesas de debate, rodas de conversa, lançamentos de livros, leituras públicas e happy hours, a programação da casa reúne mais de 80 convidados em seu novo endereço no centro histórico de Paraty, na rua Comendador José Luiz, 278, próximo ao Largo do Rosário.
Para além de escritores, entre os nomes reunidos para a programação da casa, também figuram médicos, filósofos e jornalistas que debaterão as angústias que polarizam o mundo hoje: da perda da subjetividade para o algoritmo à inevitabilidade da morte; da confissão no papel à performance insustentável nas redes sociais.
O legado da poeta paulista Orides Fontela, homenageada da Flip deste ano, será o tema da mesa “O poema não perdoa, a filosofia talvez”. Promovida pela Revista Cult, a mesa acontecerá às 16h30 do sábado, 25, marcando também o lançamento do livreto Heranças de Orides Fontela, pela Editora Cult.
O evento, que contará com a participação de Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto e Nathaly Felipe e mediação de Giovani Kurz, visa debater os limites entre fazer poético e investigação filosófica na obra da poeta.
No entanto, a força da poética oridiana não se restringe ao debate teórico na Casa acaso, como destacam Santiago e Fank; “ela ganha o corpo e a voz. Teremos um grande sarau aberto para celebrar o texto falado, conduzido por Dadá Coelho e com a presença de atores, atrizes e escritores — dos consagrados aos estreantes —, levando o poema grifado direto para a ponta da língua.”
Confira abaixo a programação completa da Casa Acaso na Flip:
QUARTA-FEIRA [22/07]
Oficina de Escrita Criativa: esboços, processos e rascunhos com Julie Fank, Esc. Escola de Escrita
Uma imersão no laboratório da escrita. Trazendo a atmosfera das salas de aula da Esc. Escola de Escrita para o território da FLIP, este formato pocket propõe um olhar anatômico sobre o que vem antes do livro pronto: a rasura, o ensaio e o erro. Durante três horas, os participantes serão convidados a habitar suas próprias anotações e a investigar caminhos para sistematizar o processo criativo a partir de cadernos antigos, rascunhos esquecidos e esboços de novos projetos. Um chamado tátil para olhar para o rastro já deixado na página e descobrir a costura exata que transforma o fragmento em mundo. Ao longo de três horas de práticas e provocações, vamos passear pelas ideias em estado bruto e estruturar os bastidores de novos projetos literários.
são 20 vagas, a inscrição é gratuita e pode ser feita pelo seguinte link e é via processo seletivo: https://forms.gle/dY45fuAgMq33RdTp8 [os selecionados serão notificados via e-mail/ redes sociais no dia 17/07]
QUINTA-FEIRA [23/07]
Como conseguimos trazer novos ares e novas propostas para um gênero tão consolidado quanto o romance? Para pensar essa questão, convidamos três romancistas estreantes para apresentar seus projetos insubmissos de narrativas longas. S. Ganeff, Breno Botelho e Vítor Kappel contam como superar o medo da escrita e assumir a posição de romancista para escrever com liberdade e, principalmente, ousadia.
Com a chancela de um doutorado em Escrita Criativa na PUCRS, a escritora e artista visual Julie Fank foi pioneira na formação de escritores no Brasil. À frente da Esc. Escola de Escrita, escola montada há
12 anos em Curitiba, ela acompanhou, ao longo da última década, a desmitificação da ideia de que escritores nascem prontos ou não precisam de formação. Na outra ponta, Bruna Dantas Lobato, tradutora e escritora, fez mestrado em Escrita Criativa na Universidade de Nova York e, atualmente, é professora de Escrita Criativa na Grinnell College. Dos Estados Unidos, a perspectiva é outra: as oficinas de escrita criativa existem desde o século XIX. Nesta mesa, as duas escritoras conversam sobre o que aproxima e o que afasta o conceito de escrita criativa a partir dessas duas lentes.
O livro ilustrado é um organismo de dupla face, onde a palavra e a imagem dançam no mesmo espaço. Neste encontro, a escritora Roberta Malta e a ilustradora Johanna Thomé de Souza abrem os bastidores da obra Amália para investigar essas múltiplas camadas de leitura. Caminhando entre o texto que evoca e a imagem que inaugura espaços, escritora e ilustradora discutem como a literatura visual se torna um abrigo tátil para o tempo, capaz de traduzir o afeto, a linhagem e as vozes ancestrais que nos habitam antes mesmo de sabermos falar.
Quando produzir se torna uma obrigação ininterrupta, a criatividade corre o risco de virar apenas ruído de fundo. O debate joga luz sobre as frestas que sobram entre a pressão estética das telas e o vazio do esgotamento. Em uma conversa que atravessa as redes e as páginas dos livros, os convidados analisam os impactos da economia da atenção na literatura contemporânea, onde o consumo fácil costuma soterrar as obras que pedem do leitor o direito à lentidão. Uma conversa sobre os limites da nossa cabeça e a busca por uma criatividade que resista ao colapso.
A palavra curadoria carrega o peso da escolha e o peso de deixar passar uma pepita que pode escapar ao olhar mais atento. O gesto da costura de uma série de recomendações é o que une a experiência de Nastasha, à frente da plataforma de descobertas Salvo, e Rosario Pozo Gowland, à frente do maior clube de livros da Argentina, Deci-me un libro, conversam com Julie Fank, curadora da Casa Acaso e diretora da Esc. Escola de Escrita, sobre o gesto de escolha que, ao costurar pontos imprevistos, desenha novas constelações no repertório de quem está pronto para descobrir seu próximo livro ou artista favorito.



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