Lula (PT), 80, foi reeleito hoje presidente do Brasil, comandando uma virada inédita na história do Brasil, ao ganhar as eleições depois de ter ficado em se...
Lula (PT), 80, foi reeleito hoje presidente do Brasil, comandando uma virada inédita na história do Brasil, ao ganhar as eleições depois de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno —isso nunca havia acontecido. Ele derrotou Flávio Bolsonaro (PL), 45, na eleição mais acirrada que o país já teve.
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Lula obteve 51,79% dos votos e Flávio, 48,21%. As taxas de abstenção (19,22%) e de votos inválidos (3,24%( foram as mais baixas desde 2002 —cerca de 3 milhões de pessoas que não votaram no primeiro turno compareceram às urnas neste domingo.
Com mais de 64,3 milhões de votos, o petista teve a maior votação já registrada em uma disputa de segundo turno no Brasil —o recorde anterior era do próprio Lula, que conquistou 60 milhões de votos nas urnas durante a segunda etapa de 2022, contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em discurso após a vitória, Lula citou "intromissão" de plataformas digitais na eleição e prometeu regulamentação, afirmando que não permitirá interferências externas por meio dessas ferramentas.
Esta eleição foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais. Nós vamos ter que regulá-las. Lula
Pesquisas eleitorais do segundo turno: veja os principais levantamentos
Despedida das urnasEsta é a quarta vez que Lula vence a disputa para a Presidência, e será também a última. Ele não pode concorrer à reeleição em 2030 e já declarou que o pleito de 2026 foi sua despedida das urnas.
A vitória ocorre após uma campanha que, em sua reta final, levou a militância de volta às ruas, de um jeito que fez Lula lembrar de quando concorreu pela primeira vez à Presidência da República, em 1989 —naquela estreia, ao contrário do que ocorreu agora, o clamor das ruas não foi suficiente para que ele vencesse a disputa no segundo turno.
Em 1989, ele foi derrotado por Fernando Collor (PRN), então com 40 anos.
A vitória de Lula tornou real o sonho de uma militância que, a partir do dia 23 de outubro, quando pesquisa Datafolha indicou cada candidato com 50% dos votos válidos, acreditou na chance de uma virada —embora tenha ficado apreensiva com novos levantamentos que, na véspera da eleição, indicavam a vitória de Flávio.
Os atos pelo Brasil e o canal de WhatsApp "Exército de Lula" deram gás à campanha. Dentre os atos, um deles foi considerado histórico: o encontro na avenida Paulista, no dia 24 de outubro, reuniu dois milhões de apoiadores, segundo levantamento da campanha de Lula.
De maneira inédita, a campanha petista pôde se valer de um movimento digital de massas, graças à iniciativa do deputado federal André Janones (Rede-MG) de criar o "Exército do Lula", canal de WhatsApp que reuniu 10,8 milhões de seguidores.
O canal chegou a ser suspenso em 11 de outubro pelo presidente do TSE Kassio Nunes Marques, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, e liberado depois pelo ministro da corte eleitoral Floriano de Azevedo Marques.
Os seguidores recebiam missões de Janones, como engajamento em publicações, pesquisas com menções desfavoráveis a Flávio na internet e participação em atos e lives.
A militância digital comandada pelo deputado mineiro transformou uma campanha apática de primeiro turno em um movimento de massas enérgico, que despertou senso de importância, pertencimento e responsabilidade em eleitores anônimos.
Em vez dos artistas de sempre cantando "Lula lá, brilha uma estrela" em posts no Instagram, passaram a proliferar memes de gente comum fazendo graça com o bordão de Janones, "EXPLODE", escrito em letras maiúsculas para inflamar os seguidores do canal. Obedecer às ordens de Janones —dadas aos gritos, em um estilo usualmente associado à direita— tornou-se uma atitude descolada.
A campanha do segundo turno também conseguiu algo tido como improvável, que foi associar a camisa da seleção brasileira ao candidato do PT. Em uma de suas missões, Janones orientou seguidores no sábado (17) a fotografar-se com as cores nacionais e postar a imagem nas redes, fazendo o L com os dedos —teve ampla adesão.
Lula conseguiu se eleger presidente pela quarta vez a despeito do sentimento de antipetismo que aflorou em parte do eleitorado desde que o partido passou a ser envolvido em escândalos de corrupção —como o mensalão, em 2005, e esquemas envolvendo empreiteiras revelados pela operação Lava Jato, a partir de 2014. A campanha de Flávio explorou à exaustão o desgaste da imagem do PT e de Lula com bordões como "tchau, tchau, PT", e "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão".
Definida por Lula como a "mais desorganizada" desde 1989, a campanha de primeiro turno foi marcada pelo clima de intrigas e disputa entre os integrantes. Edinho Silva, coordenador nacional e presidente do PT, foi acusado por colegas de partido de privilegiar a própria campanha para deputado federal por SP (ele foi eleito) em detrimento da reeleição de Lula, o que ele nega.




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