O Enem 2025 teve dez redações com nota mil, o menor número desde a criação do exame. É a segunda edição consecutiva a registrar uma quantidade historicamente baixa de textos com pontuação máxima. Em 2024, 12 candidatos alcançaram a nota mil. Leia mais (06/23/2026 - 17h10)

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23.jun.2026 às 17h10 Atualizado: 23.jun.2026 às 17h23

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O Enem 2025 teve dez redações com nota mil, o menor número desde a criação do exame. É a segunda edição consecutiva a registrar uma quantidade historicamente baixa de textos com pontuação máxima. Em 2024, 12 candidatos alcançaram a nota mil.

O tema da redação deste ano foi "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira".

Entre os dez participantes que alcançaram a nota máxima na redação do Enem 2025, oito são de estados do Nordeste e do Sudeste. Bahia, Ceará, Rio de Janeiro e Pernambuco tiveram dois candidatos com nota mil cada. Alagoas e Rio Grande do Sul registraram um estudante com a pontuação máxima

Para obter a nota mil, os participantes precisam atingir o desempenho máximo nas cinco competências avaliadas pela banca corretora. Os critérios envolvem domínio da norma-padrão da língua portuguesa; compreensão e desenvolvimento do tema; organização dos argumentos; coesão textual; e elaboração de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

Os números foram extraídos dos microdados do Enem, divulgados pelo Inep nesta segunda-feira (22), que reúnem informações detalhadas sobre o desempenho dos participantes e viabilizam análises do exame.

Para Paulo Scherrer, professor e diretor da Gama Pré-Vestibular, a principal mudança observada foi a queda no desempenho da redação. Segundo ele, a redução ficou mais evidente entre esses candidatos que costumam concentrar as notas mais altas do exame.

O professor também aponta, a partir de uma análise dos microdados, que a competência 2 (repertório) liderou o rigor da banca no ano passado, com um recuo de 11,1% na média geral em relação a 2024.

A coordenadora pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, Amanda Rassi, também vê sinais de maior rigor. Segundo ela, as análises preliminares indicam aumento de penalizações, como notas zero e casos de tangenciamento ao tema.

"A redução das notas máximas já vinha sendo observada nos últimos anos e acabou se confirmando novamente nesta edição", afirma Rassi. Segundo ela, a percepção de maior rigor já havia sido relatada por estudantes após a divulgação dos espelhos de correção.

Em janeiro, após a divulgação dos resultados do Enem, o Inep afirmou à Folha que não houve alteração nos critérios de correção da redação.

O instituto disse que uma das hipóteses para a percepção de notas mais baixas é a disseminação de modelos padronizados de texto e do uso de "repertórios de bolso" durante a preparação dos candidatos.

Para Marcos Raggazzi, diretor-executivo das unidades escolares do Bernoulli Educação, a queda no número de notas máximas pode estar associada tanto a uma correção mais rigorosa quanto às exigências específicas do tema.

Segundo ele, a proposta demandava repertório sociocultural e capacidade de relacionar diferentes aspectos de uma questão contemporânea.