Uma provável invasão ao sistema de alertas de emergência da Defesa Civil disparou alertas a milhões de pessoas não para avisar sobre a possibilidade de um desastre natural, mas para enviar mensagem com a palavra "misantropia" -aversão ou desprezo pela espécie humana. Leia mais (06/20/2026 - 12h48)
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20.jun.2026 às 12h48 Atualizado: 20.jun.2026 às 14h16
Uma provável invasão ao sistema de alertas de emergência da Defesa Civil disparou alertas a milhões de pessoas não para avisar sobre a possibilidade de um desastre natural, mas para enviar mensagem com a palavra "misantropia" —aversão ou desprezo pela espécie humana.
O secretário nacional da Defesa Civil, Wolnei Wolff, disse que "tudo leva a crer" que houve um ataque hacker e declarou ter acionado a Polícia Federal. A plataforma foi tirada do ar à 1h30 e não há previsão para que volte a funcionar.
O episódio, segundo o especialista em cibersegurança José Milagre, levanta preocupações para além do susto: se a população perder a confiança nos alertas, pode ignorar avisos legítimos em situações reais de risco.
A seguir, entenda o caso ponto a ponto.
O que aconteceu? Moradores de várias cidades como São Paulo, Curitiba, Brasília e Aracaju receberam na noite de sexta-feira (19) e na madrugada de sábado (20) uma notificação de "alerta extremo" da Defesa Civil com uma mensagem incomum: em vez de avisar sobre uma ameaça real de desastre natural, a mensagem trazia a palavra "misantropia" ou variações como "misantropi4".
Misantropia é uma palavra de origem grega que denota aversão, desconfiança ou desprezo pela espécie humana. É o oposto de filantropia. Não há nenhuma relação, portanto, com qualquer tipo de alerta de desastre e, segundo as Defesas Civis estaduais, nenhuma mensagem do gênero havia sido lançada ao sistema.
Secretário nacional da Defesa Civil, Wolnei Wolff disse na manhã deste sábado (20) que o caso, ao que tudo indica, envolve um ataque hacker. Segundo ele, porém, ainda é cedo para saber como exatamente a invasão aconteceu porque cada estado emite alertas para o seu próprio território.
Segundo Wolff, nove alertas foram emitidos pelo sistema de alertas que aciona celulares localizados em determinada região (tecnologia cell broadcast) e um outro comunicado foi feito a partir de um sistema mais antigo, que envia mensagens de texto (SMS) a aparelhos cadastrados.
Wolff declarou a jornalistas não trabalhar com a hipótese de que o ataque se deu a partir da conta de uma pessoa vinculada à Defesa Civil Nacional. "Tudo nos leva a crer que foi um ataque hacker, um crime cibernético", afirmou. Segundo o Governo Federal, não há até o momento indicativos de dano estrutural ao sistema de alertas.
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Quais foram as providências imediatas? A plataforma foi retirada do ar por volta da 1h30 deste sábado e não tem previsão para voltar a funcionar. "Quando ele voltará ao ar? Quando a gente tiver plena segurança de que foi capaz de fazer a troca das senhas para que tenha o mínimo de segurança de que os ataques não ocorrerão novamente", afirmou Wolff.
Ainda segundo ele, a Polícia Federal foi acionada na manhã deste sábado. "Eu acho que a gente tende a evoluir para ter informações mais concretas sobre essa invasão."
O secretário nacional da Defesa Civil afirmou que o Ministério da Integração trabalha no desenvolvimento de uma nova versão para o sistema de alertas, mas não deu informações sobre quando ela deve começar a funcionar. "Eu não conseguiria aqui afirmar exatamente o dia em que essa versão vai ser concluída, mas nós estamos trabalhando nisso."