A chegada da empresa aeroespacial SpaceX à Bolsa de Valores alçou seu CEO, Elon Musk, à posição de homem mais rico da história recente. O marco considera o período iniciado no fim do século 19, com a consolidação da economia de mercado, época a partir da qual economistas conseguem traçar comparações financeiras padronizadas. Leia mais (06/27/2026 - 23h00)

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27.jun.2026 às 23h00

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Gustavo Queirolo Pedro S. Teixeira

A chegada da empresa aeroespacial SpaceX à Bolsa de Valores alçou seu CEO, Elon Musk, à posição de homem mais rico da história recente. O marco considera o período iniciado no fim do século 19, com a consolidação da economia de mercado, época a partir da qual economistas conseguem traçar comparações financeiras padronizadas.

Logo após a oferta inicial de ações da SpaceX (IPO, na sigla em inglês), o patrimônio de Musk ultrapassou o patamar de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,2 trilhões), fazendo dele o primeiro trilionário do mundo. A fortuna do fundador da SpaceX equivale a cerca de 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, superando figuras históricas como o magnata do petróleo John D. Rockefeller e o industrial Andrew Carnegie, que vendeu sua siderúrgica ao banco J.P. Morgan por US$ 480 milhões (R$ 2,5 trilhões) —valor que hoje corrigido equivaleria a US$ 375 bilhões (R$ 1,9 trilhão).

A cifra de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões) —o algarismo 1 seguido de 12 zeros— representa um volume de recursos que desafia a percepção humana. A Folha fez algumas comparações para tornar o número mais palpável.

A dificuldade humana para compreender grandes números foi objeto de estudo do psicólogo americano Paul Slovic, professor emérito da Universidade de Oregon. Segundo suas pesquisas, a partir de um certo limite, normalmente na casa dos milhares, o cérebro armazena os valores em um mesmo patamar de percepção. Contudo, as diferenças reais entre 1 bilhão e 1 trilhão são abissais.

Em uma linha reta na qual cada centímetro correspondesse a US$ 1 bilhão, uma pessoa comum estaria colada ao ponto zero. O apresentador Luciano Huck, com patrimônio estimado em R$ 1 bilhão, não passaria do primeiro centímetro, e o investidor Jorge Paulo Lemann, um dos homens mais ricos do Brasil, chegaria a menos de 20 centímetros. Já Elon Musk estaria na marca dos dez metros.

Outra comparação ilustra o abismo: se Jesus Cristo tivesse ganhado US$ 1 milhão por dia desde o seu nascimento, ainda teria hoje, 2.026 anos depois, cerca de US$ 260 bilhões a menos do que o dono da Tesla e da SpaceX.

No cenário nacional, toda a indústria da construção civil do Brasil levaria 17 anos de lançamentos para igualar o patrimônio de Musk, considerado o preço médio de um imóvel lançado no país em 2025 (R$ 645 mil). O país colocou 400 mil unidades no mercado naquele ano, mas seriam necessários 6,8 milhões de casas e apartamentos para atingir o valor.

Musk, que já liderava o ranking de pessoas mais ricas do mundo, consolidou-se como o primeiro trilionário do planeta após uma nova rodada de negócios envolvendo a SpaceX, sua empresa de foguetes e inteligência artificial.

Depois do IPO, a companhia passou a ser avaliada pelo mercado em patamares que levaram o patrimônio líquido do empresário a US$ 1,2 trilhão. O cálculo também considera a participação de cerca de 20% do sul-africano na fabricante de carros elétricos Tesla, cujo valor de mercado orbita os US$ 1,4 trilhão.

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PAPEL OU DINHEIRO NO BOLSO? Embora a fortuna impressione, ela não significa dinheiro em espécie à disposição. A maioria da riqueza de Musk é contábil, baseada na flutuação das ações das empresas comandadas pelo empresário.

"Se Musk abandonasse o negócio, o que ele não fará, as ações da Tesla explodiriam como uma bateria de lítio incendiada", diz Eric Schiffer, gestor da Reputation Management Consultants. "É o mesmo que extirpar o cérebro e o coração e esperar que o paciente ainda funcione."

Para o economista e ex-ministro da Fazenda da Grécia Yanis Varoufakis, o valor das companhias de Musk está superestimado e remete à bolha das empresas de tecnologia ("pontocom") do final dos anos 1990. "É um cenário familiar para quem guarda as cicatrizes do que testemunhou há cerca de 25 anos, quando a arte das fusões corporativas por Wall Street enviou avaliações falsas para a estratosfera, antes do colapso", afirma.