O BIS (Bank for International Settlements, ou Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês) alertou que os gastos desenfreados das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial correm o risco de terminar em uma prolongada "crise de investimentos" que poderia abalar os mercados financeiros e prejudicar a economia global. Leia mais (06/28/2026 - 12h00)

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28.jun.2026 às 12h00 Atualizado: 28.jun.2026 às 13h52

Sam Fleming Ian Smith

Londres | Financial Times

O BIS (Bank for International Settlements, ou Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês) alertou que os gastos desenfreados das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial correm o risco de terminar em uma prolongada "crise de investimentos" que poderia abalar os mercados financeiros e prejudicar a economia global.

A organização, sediada em Basileia, que assessora os bancos centrais do mundo, afirmou que a perspectiva de retornos piores do que o esperado no setor de tecnologia pode levar os investidores a restringir rapidamente o financiamento de empresas de IA, em um momento em que se espera que os cinco maiores "hiperescaladores" invistam mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões) de 2025 até o final de 2026.

"A frustração com os retornos pode desencadear uma retração repentina no financiamento e transformar o boom de despesas de capital em uma prolongada crise de investimentos, com efeitos potenciais em cascata sobre as condições financeiras", afirmou o BIS em seu relatório econômico anual divulgado neste domingo (28), ao detalhar os riscos da "exuberância atual em relação à IA".

O alerta surge em meio a crescentes preocupações com a escala de emissão de ações e dívida que impulsiona a revolução da IA e a turbulência que isso está criando nos mercados globais. Grupos de tecnologia inundaram o mercado de crédito global, captando centenas de bilhões de dólares para financiar projetos de IA, aproveitando-se de spreads de crédito corporativo próximos aos seus níveis mais baixos neste século.

Os preços recordes das ações também os atraíram para o mercado de ações dos EUA, com o IPO estrondoso de US$ 86 bilhões (R$ 444,5 bilhões) da SpaceX no início deste mês, um caso emblemático da forte demanda por ações ligadas à tecnologia.

Grandes investidores alertaram que essa corrida para emitir dívida pode testar o apetite dos investidores, especialmente se o investimento em IA não gerar um retorno adequado. Os mercados de ações têm apresentado volatilidade desde o IPO da SpaceX e enquanto os investidores assimilam as crescentes expectativas de aumento das taxas de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano).

O diretor de investimentos da Allianz alertou esta semana que a decisão da SpaceX de lançar uma emissão de títulos de US$ 25 bilhões (R$ 129,2 bilhões) tão pouco tempo depois de seu IPO era um sinal de que os mercados haviam entrado em "território de bolha".

Até o momento, o otimismo em relação à IA tem impulsionado significativamente o crescimento global, acrescentou o BIS. O relatório reconheceu que é possível que a IA aumente a produtividade "significativamente" na próxima década, considerando os ganhos de eficiência que pode proporcionar às empresas.

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Mas afirmou que episódios históricos de expansão de investimentos oferecem "paralelos instrutivos" — entre eles, a expansão dos canais na década de 1830, das ferrovias na Grã-Bretanha na década de 1840 e o boom da internet no final da década de 1990.

Segundo o BIS, todos esses projetos tinham uma característica fundamental em comum: "um verdadeiro avanço tecnológico que atraiu capital superior ao que os retornos comerciais poderiam justificar em última instância".

O texto acrescenta: "Esses episódios culminaram em uma reversão final dos investimentos, provocando recessões em toda a economia."

Uma correção significativa no mercado de ações associada à IA pode ter implicações mais amplas hoje do que no passado, acrescentou o BIS, porque as famílias têm maior exposição a ações em relação à sua riqueza e renda.