Segundo Harley Bassman, a convexidade negativa associada aos contratos futuros de títulos — ou o risco desproporcional de queda a eles atrelado — atingiu n...

Harley Bassman, pioneiro de um dos indicadores mais acompanhados para os títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), alertou que uma característica pouco notada do mercado ameaça agravar uma onda de vendas que já dura meses e elevar ainda mais os rendimentos dos títulos.

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Ele disse que a recente e acentuada alta dos rendimentos — que derrubou principalmente os preços dos títulos de prazo mais longo — transformou os papéis de vencimento mais distante naqueles que serão usados ​​para liquidar os contratos, sob as chamadas regras de "título mais barato para entrega". No entanto, esses títulos também apresentam maior "duration", o que significa que correm maior risco de sofrer quedas acentuadas quando as taxas de juros sobem.

Para compensar essa exposição, gestores de fundos podem se desfazer de outros títulos de longo prazo pouco antes do vencimento dos contratos, criando uma dinâmica que intensifica as vendas justamente quando os preços estão caindo. Ele afirmou que a convexidade negativa associada aos contratos futuros de títulos — ou o risco desproporcional de queda a eles atrelado — atingiu níveis não vistos desde 2007 e pode ter contribuído para a fase mais recente da onda de vendas de Treasuries.

"Após quase vinte anos, estão de volta os 'tempos de diversão' para a negociação de títulos em Wall Street", escreveu ele. "Como se trata de contratos futuros de títulos do Tesouro dos EUA — ativos superseguros e livres de risco —, é possível que os compradores não tenham compreendido totalmente esse perfil de risco desafiador."

Bassman disse que isso representa um risco específico caso o rendimento do título do Tesouro de 20 anos ultrapasse 6%, afirmando que tal situação criaria um "cenário de pesadelo" de pressão vendedora, equivalente a um leilão de US$ 110 bilhões desses títulos. Atualmente, o rendimento do título de 20 anos está em torno de 5,6%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 20 anos dispararam mais de 80 pontos-base neste ano.

Entre os expostos ao risco associado às liquidações de contratos futuros estão gestores de investimentos — que utilizam esses contratos para fazer "hedge" (proteção) de posições em títulos públicos — e fundos alavancados, que os empregam em estratégias como a popular operação de "basis trade" (que busca lucrar com a diferença de preço entre um ativo à vista e seu respectivo contrato derivativo ou futuro.