União Europeia anunciou na sexta-feira um acordo que poderá reduzir em mais da metade as exportações chinesas de veículos híbridos para o bloco

As montadoras europeias pediram, nesta terça-feira (13), que os formuladores de políticas públicas adotem mais medidas para ajudá-las a enfrentar a concorrência chinesa e a transição para os veículos elétricos, enquanto a queda nas entregas da BMW e da Stellantis no terceiro trimestre evidenciou a pressão sobre o setor.

A indústria europeia de automóveis de produção em massa está sob “enorme pressão”, afirmou o diretor-presidente da Volkswagen, Oliver Blume, durante um evento realizado paralelamente ao Salão do Automóvel de Paris, renovando os apelos por uma regulamentação mais flexível e incentivos para apoiar a produção local.

A União Europeia anunciou na sexta-feira um acordo que poderá reduzir em mais da metade as exportações chinesas de veículos híbridos para o bloco, respondendo às preocupações das montadoras europeias de que as concorrentes chinesas, diante da demanda fraca no mercado doméstico e praticamente excluídas do mercado americano, poderiam inundar a Europa com carros de baixo custo.

Volkswagen e Stellantis demonstram confiança em veículos elétricos e buscam aprender com a China

Embora tenham recebido o acordo de maneira amplamente positiva, as fabricantes europeias afirmam que os formuladores de políticas públicas precisam fazer mais para ajudá-las a competir, incluindo medidas para enfrentar os elevados custos de energia e apoiar a transição para os veículos elétricos.

O diretor-presidente da Stellantis, Antonio Filosa, afirmou que a Europa precisa de mais fábricas de baterias para veículos elétricos.

O diretor-presidente da Renault, François Provost, por sua vez, alertou que a companhia poderá ter de reduzir sua produção europeia em cerca de 300 mil veículos caso os formuladores de políticas públicas não demonstrem flexibilidade em relação às metas de redução das emissões de carbono estabelecidas para as montadoras até 2030.

A pressão sobre as montadoras europeias foi evidenciada pela BMW, que registrou queda de 6,4% nas entregas globais no terceiro trimestre, enquanto suas vendas na China recuaram 25%.

A Stellantis, por sua vez, informou que suas remessas de veículos caíram 1% no terceiro trimestre, afetadas por uma paralisação da produção durante o verão na América do Norte.

Um ponto positivo foi o crescimento de 10% nas remessas na Europa, impulsionado em parte por veículos da parceira chinesa Leapmotor. O desempenho evidencia a complexidade das relações no setor, já que fabricantes europeias e chinesas competem intensamente, ao mesmo tempo em que aproveitam os conhecimentos e as tecnologias umas das outras.

Ambos os lados estão aproveitando o Salão do Automóvel de Paris para lançar uma série de novos modelos, à medida que a disputa pelo mercado europeu se intensifica.

Com as fabricantes chinesas combinando tecnologias cada vez mais sofisticadas a preços competitivos, algumas montadoras europeias estão reagindo com um diferencial que suas concorrentes não possuem: a tradição de suas marcas.

A Stellantis apresentou uma versão elétrica do clássico 2CV, da Citroën, enquanto o Polo elétrico da Volkswagen se inspira fortemente no período de maior sucesso do Golf, na década de 1980.

Os riscos são elevados. “Não podemos construir nosso futuro apenas com os lucros das exportações. Nossas operações europeias precisam ser lucrativas, resilientes e competitivas”, afirmou Blume, da Volkswagen. “Precisamos preservar a base industrial da Europa.”