Socorristas e voluntários se agarram a 1% de chance de encontrar vida em meio a escombros na capital Caracas

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28.jun.2026 às 10h49 Atualizado: 30.jun.2026 às 16h19

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A esperança de encontrar sobreviventes em meio aos escombros na Venezuela diminui pouco a pouco, dizem membros das equipes de resgate na linha de frente das operações neste que é o quarto dia após os fortes terremotos que atingiram a costa do país caribenho.

"Nossa prioridade segue sendo encontrar o máximo de pessoas vivas, mas neste sábado já era claro que só encontraríamos cadáveres", diz à reportagem a venezuelana Andy, que lidera a logística do grupo mexicano Topos Aztecas, enviado para ajuda.

O grupo trabalhou em Caracas até aqui e agora se aproxima do epicentro da crise, a cidade costeira de La Guaira, atrás do majestoso El Ávila, região montanhosa que é orgulho dos caraquenhos.

Em três dias de trabalhos de resgate no histórico edifício Petúnia, que desabou, a equipe resgatou oito corpos. Calcula-se que ao menos outros seis estejam ali. O único encontrado vivo foi um cachorrinho. "Agora já sabemos que a chance de encontrar vivos é de 1%, e então nós apegamos a esse 1%", diz David Villa, outro membro do grupo.

"Ainda assim, para nós é igualmente importante resgatar os corpos, para que as famílias tenham dignidade e possam estar com seus entes queridos", prossegue Andy, que se dirige a La Guaira em meio à chuva na região, um fator que pode complicar o trabalho de buscas.

Segundo o último balanço divulgado pelo regime de Delcy Rodríguez, há ao menos 1.450 mortos, como "resultado da mais brutal das catástrofes naturais que o país já sofreu em sua história". Os números incluem ainda 3.150 feridos em hospitais e 12.721 pessoas afetadas, sem especificação de que tipo de dano sofreram.

Após as 72 horas iniciais que eram críticas para encontrar sobreviventes, a ajuda humanitária também tem se reestruturado. A dificuldade é compreender as diferentes necessidades em diferentes regiões.

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Como no Brasil, venezuelanos usam muito o WhatsApp. Nas mensagens instantâneas, são divulgados os itens que voluntários mapeam como prioritários: entre tantas outras coisas, algumas das necessidades imediatas são colírio, porque há muitas cinzas e fumaça em meio aos destroços, e máscaras faciais, por segurança e porque o odor de corpos em decomposição é pungente.

Coordenadora de comunicação das ONGs Alimenta la Solidaridad e MiConvive, Claudia Astor explica que há dez anos as organizações se dedicam a ajudar os comedores, os locais que oferecem alimentação à população de baixa renda. Agora destinaram todos os seus esforços para a tragédia de La Guaira, como os terremotos têm sido chamados.

A ONU calcula que há mais de 6,7 milhões de afetados em toda a Venezuela, de alguma maneira, pelo desastre natural. O trabalho de ajuda é sem fim.

Mas a logística também é complicada. Acessar La Guaira está cada vez mais difícil. Para não prejudicar as buscas e o translado humanitário, o regime proibiu o acesso à área para quem não tem o chamado salvo-conduto.

É difícil encontrar um venezuelano em Caracas que não conheça ao menos uma vítima da tragédia. Ou um desaparecido, que com a esperança que aos poucos se esvai de encontrar sobreviventes já começa a ser considerado mais uma potencial morte.