Em recorte por gênero, mulheres tiveram uma queda na pressão arterial 28% maior do que a observada em homens
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Uma nova análise de um comprimido triplo para hipertensão, apresentado por brasileiros do Einstein, revela que a medicação em teste reduziu a pressão arterial 28% mais em mulheres do que em homens. O estudo reforça a importância de considerar o gênero nos tratamentos, indicando respostas diferentes à terapia.
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A medicina já descobriu que tratamentos não funcionam da mesma forma em homens e mulheres. Por este motivo, o recorte dos estudos por gênero tem sido uma forma de ajudar nas prescrições e oferecer as melhores estratégias para os pacientes. Uma investigação sobre o uso de uma pílula tripla para hipertensão é um exemplo disso: um estudo recém-apresentado por brasileiros do Einstein Hospital Israelita na reunião anual da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, na sigla em inglês) mostrou que o uso de uma medicação em teste resultou em uma queda na pressão arterial 28% maior nas mulheres do que em homens.
Os achados fazem parte de uma análise mais aprofundada de um comprimido em teste da farmacêutica brasileira Libbs que combina os princípios ativos candesartana cilexetil 16 mg, clortalidona 12,5 mg e anlodipino 5 mg.
No ano passado, os dados gerais do ensaio já tinham sido apresentados no mesmo congresso e indicaram uma queda na pressão arterial de 15 por 9 (150/90 mmHg) para 13 por 8 (130/80 mmHg) em 12 semanas.
Agora, uma subanálise destrinchou os dados por gênero. Com o uso do remédio em teste, a redução na pressão arterial foi mais expressiva entre mulheres (28% maior). Para a pesquisa, foi utilizada outra pílula tripla já aprovada para a comparação.
“Nós temos visto cada vez mais dentro da saúde cardiovascular que, nas mulheres, há vários fatores que fazem com que tanto o controle de pressão arterial quanto de outras doenças sejam diferentes dos homens. Há uma questão hormonal associada ao manejo da pressão”, explica a cardiologista Patrícia Guimarães, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita.
De acordo com Guimarães, os resultados confirmam que é necessário ter uma abordagem e um olhar mais atento para o tratamento das mulheres para contemplar essas questões.
“Nós não podemos ter metas iguais e que o sexo deve influenciar de fato na maneira como nós vamos conduzir a consulta médica e o acompanhamento. Nós precisamos pôr uma lupa na saúde da mulher.”
Isso não significa que o possível futuro tratamento não é adequado para homens, porque eles também tiveram resultados positivos, mas que é necessário ter um olhar mais atento às respostas da população feminina a terapias.
Desde sua primeira apresentação, esse estudo tem se destacado pela diversidade dos participantes, contemplando pacientes brancos, negros e pardos entre os voluntários.
Assim, também foi verificada a eficácia nessas populações a partir da análise de 673 pessoas. O resultado foi uma redução adicional média de 5,48 mmHg na pressão arterial sistólica (o número mais alto) de forma semelhante nos voluntários na comparação com o comprimido triplo que já é utilizado em tratamentos.
“Um dos pontos que a gente sempre preza é a diversidade étnica dos nossos pacientes. Essa é uma das vantagens de fazer o estudo no Brasil, porque a diversidade é grande e aumenta a validade externa nos nossos estudos. Na nossa subanálise, a gente viu que os achados em redução da pressão foram consistentes em todos os grupos”, afirma o cardiologista Vagner Madrini Junior, pesquisador do Einstein Hospital Israelita.
Também chamada de pressão alta, a hipertensão é uma doença crônica silenciosa que se caracteriza pela elevação da pressão do sangue nas artérias e que pode desencadear problemas como AVC, infarto, insuficiência renal e cardíaca, além de levar à morte.
Ela é uma condição perigosa por não causar sintomas alarmantes, sendo notada apenas quando ocorre um pico. Nessas situações, as pessoas podem apresentar dores de cabeça, tontura, dores no peito, visão embaçada e sangramento nasal.
O tratamento é feito com medicamentos, mas é necessário mudar o estilo de vida, adotando alimentação saudável, prática de exercícios e redução de sal e alimentos ultraprocessados.




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