Pesquisas indicam que supervisão humana é fator de maior peso para credibilidade; leitores desconfiam de robôs em textos com análises

Pesquisas indicam que supervisão humana é fator de maior peso para credibilidade; leitores desconfiam de robôs em textos com análises

Solen Feyissa (via Unsplash) - 1.abr.2024

20.jun.2026 (sábado) - 6h00 Siga o Poder360 no Google

Por Mark Coddington e Tamar Wilner

Como já relatado anteriormente, o jornalismo gerado por Inteligência Artificial provoca desconfiança nos leitores, com o público preferindo o toque humano. Isso pode parecer óbvio, mas muitas perguntas estão embutidas nessa afirmação ampla.

Os autores  Sebastián Valenzuela, Ingrid Bachmann, Porismita Borah e Natalia Solís Valdés identificaram que a supervisão humana foi o fator de maior influência. Os veículos de mídia que exigem revisão humana de todo o conteúdo de IA foram vistos como mais críveis e escolhidos como fontes de notícias com mais frequência do que as empresas sem essa supervisão. Os participantes também consideraram a transparência no uso de IA generativa importante para a credibilidade. Além disso, demonstraram menor probabilidade de consumir ou confiar em um veículo quando a IA automatizava tanto notícias objetivas quanto conteúdos que exigem nuance e interpretação, em comparação com empresas que proíbem toda escrita automatizada por IA.

Por outro lado, o público não mostrou preferência sobre o uso de IA para tarefas repetitivas ou burocráticas, porque isso, aparentemente, não influencia a credibilidade. Também não demonstraram preferência pelo uso de IA para personalizar formatos de notícias ou para criar conteúdo visual.

Os autores detalham algumas conclusões práticas em uma tabela de recomendações:

Por Luise Anter e Anna Sophie Kümpel, no International Journal of Communication.

A velocidade do TikTok pode fazer com que muitos dos critérios para esses julgamentos sejam mínimos, já que as pessoas usam atalhos mentais (heurística) em vez de processar sistematicamente as informações. Mas quais são essas estratégias rápidas para avaliar a credibilidade na plataforma e como são moldadas pelas características distintas do TikTok — sem links, sem compartilhamento público e, frequentemente, com vídeos extremamente curtos?

Por considerarem a credibilidade geral do TikTok baixa, os estudantes evitaram checar os vídeos procurando outras publicações sobre o mesmo assunto na plataforma. No entanto, a verificação saindo do aplicativo exigia mais esforço intencional do que estavam inclinados a fazer. Assim, um dos principais métodos de checagem dos estudantes foi por meio dos comentários, que pareceram desfrutar de uma percepção de credibilidade mais alta do que os próprios vídeos.

Elementos dos próprios vídeos ajudaram a sustentar o julgamento de credibilidade — tópicos baseados em fatos em vez de opiniões, estética formal e assuntos amplamente cobertos pela mídia tradicional influenciaram positivamente. Como destacaram os pesquisadores, isso apresenta um dilema para os jornalistas no TikTok: o algoritmo recompensa vídeos com recursos típicos da plataforma, como músicas do momento, cortes rápidos ou participação em desafios, mas essas são as mesmas características que geram ceticismo no público jovem. A solução pode estar em um ponto de equilíbrio entre os dois formatos.

Por Seonhye Noh, no Journalism Studies.

Um dos problemas mais complexos que afetam os institutos de pesquisa política nos últimos anos tem sido a resposta expressiva — quando as pessoas dizem acreditar em algo que não acreditam apenas para expressar afinidade com seu grupo ou hostilidade em relação a outro. (Por exemplo, eleitores de Donald Trump que respondem deliberadamente de forma errada a uma pesquisa sobre se ele ou Barack Obama teve o maior público na cerimônia de posse). Isso torna as respostas dos questionários mais uma expressão de identidade do que crenças reais, dificultando o trabalho dos pesquisadores políticos para determinar o que o público realmente pensa.

Há evidências de que isso também se aplica aos estudos de consumo de mídia: as pessoas podem afirmar que consomem notícias alinhadas com suas crenças partidárias mais do que realmente fazem, como forma de expressar sua identidade política e apoio a organizações alinhadas. Isso dificulta a determinação dos hábitos reais de consumo por meio de pesquisas, mas também pode significar que o consumo de notícias partidárias seja menos prevalente do que se imagina.

Noh, pesquisadora da UCLA, realizou o teste mais direto dessa ideia até o momento, criando um experimento no qual as pessoas selecionavam manchetes com perspectivas pró-controle e contra o controle de armas.