Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na tribuna da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede das Nações Unidas O post EUA, China e big techs: a batalha pela IA chega à ONU apareceu primeiro em Olhar Digital.
Da pólvora à inteligência artificial, a tecnologia sempre esteve associada ao poder. Durante séculos, dominar determinadas ferramentas significou ampliar a capacidade de conquistar territórios, proteger fronteiras e impor interesses. A pólvora transformou profundamente a guerra; as grandes navegações moldaram a economia global; a máquina a vapor ajudou a impulsionar a industrialização; e a eletricidade e as telecomunicações redefiniram a velocidade com que Estados e empresas conseguiam produzir, comunicar e exercer influência.
E o mundo que vivemos hoje só é o mundo que vivemos hoje por causa desse histórico. Para o bem e para o mal.
Com a revolução digital, essa relação ganhou uma nova dimensão. Computadores, internet, satélites, semicondutores e grandes plataformas digitais se tornaram ativos estratégicos. Quem ocupa posições centrais nesse ecossistema não precisa controlar um território para exercer influência direta. A influência está traduzida nos fluxos de dados, comunicação e dinheiro que atravessam fronteiras.
Tudo isso afeta diretamente a economia e a vida cotidiana de bilhões de pessoas.
A inteligência artificial leva essa lógica adiante. A corrida atual não envolve apenas quem consegue criar o chatbot mais sofisticado. Envolve chips, energia, centros de dados, capacidade computacional, talentos, modelos e dados. No fundo, coloca empresas e governos diante de uma pergunta antiga com uma tecnologia nova: quem terá acesso às ferramentas mais poderosas e, principalmente, quem terá condições de definir como elas serão usadas?
Dadas as devidas proporções, as mesmas perguntas eram feitas sobre a tecnologia nuclear. Não por coincidência, há quem defenda uma cooperação para as IAs nos moldes do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Chegamos à semana da Assembleia Geral da ONU. A cada edição, me parece que há mais motivos para tensão.
O encontro ocorre em meio a grandes guerras no Irã, Gaza, Ucrânia, Sudão, Congo e Mianmar.
Também estamos no auge das mudanças climáticas. Pelo menos, até agora. Sabemos que, neste particular, o amanhã tende a ser sempre pior.
Na economia, há impactos de eventos climáticos extremos e das guerras. Bloqueios a rotas de navegação e cadeia de suprimentos elevam o custo de vida e freiam o crescimento.
E a tecnologia terá um capítulo à parte em 2026 – graças à inteligência artificial. Ou melhor: graças aos interesses por trás das IAs. Em última instância, ainda falamos de humanos e não de máquinas.
Como qualquer tecnologia, as IAs podem fazer o bem e o mal. Essa discussão está superada. O ponto é outro.
Começo com uma breve linha do tempo.
Entre abril e julho, falhas de segurança fizeram com que modelos de IA escapassem de ambientes de teste e atacassem servidores. No início de setembro, cientistas fizeram novos alertas sobre os riscos da tecnologia, com pesquisadores chegando a pedir demissão. Em 12 de setembro, o debate chegou aos líderes da indústria: parte dos CEOs passou a defender um freio no avanço da IA, enquanto outros discordaram da proposta.
E ainda mais recentemente, na última semana, a discussão ganhou dimensão global, com a ONU cobrando regulamentação e Estados Unidos e China divergindo sobre como lidar com a tecnologia.
Aqui vai uma descrição mais detalhada dos fatos:
O Conselho de Segurança da ONU adicionou uma reunião de alto nível sobre inteligência artificial à agenda de quarta-feira, um sinal da crescente preocupação e da necessidade de abordar o assunto.
Em nosso YouTube, produzimos um especial sobre essa batalha de narrativas. Você pode conferir aqui. Spoiler: as IAs não vão acabar com o mundo. O ser humano, por outro lado, não posso garantir.
Em 14 de setembro, o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, publicou uma carta aberta advertindo que a autorregulação voluntária é “extremamente insuficiente”. E que a corrida descontrolada por IAs autônomas gera riscos existenciais diretos aos direitos humanos.
No texto, Türk defende que nenhum país pode governar essa tecnologia sozinho e que nenhuma empresa tem o direito de decidir isoladamente os riscos que a sociedade deve aceitar.



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