De um lado, Trump não pode tirar o pé dos conflitos ainda que isso signifique mais inflação. De outro, as previsões indicam uma varrida democrata na eleiç...
De um lado, o republicano não pode tirar o pé dos conflitos ainda que isso signifique mais inflação. De outro, as previsões indicam uma varrida democrata na eleição que vai renovar parte da Câmara e do Senado do país.
A economia norte-americana está entre a espada e a espada — você não leu errado. Os EUA estão no meio de duas guerras, que têm alimentado a inflação e feito os yields (rendimentos) dos títulos de dívida do Tesouro renovarem máximas em décadas. Tudo isso com as eleições de meio de mandato batendo na porta.
De um lado, o presidente norte-americano, Donald Trump, não pode tirar o pé dos conflitos ainda que isso signifique preços do petróleo acima de US$ 100 o barril e combustíveis que não param de subir nas bombas.
De outro, as previsões indicam uma varrida democrata na eleição que vai renovar parte da Câmara e do Senado do país.
Para quem investe a partir do Brasil, a história importa por um motivo simples: quando a maior economia do mundo aperta o freio e o acelerador ao mesmo tempo, o solavanco chega ao dólar, aos juros globais e à bolsa.
No Oriente Médio, o conflito com o Irã está no oitavo mês e voltou a esquentar — o Washington Institute contabiliza mais de duas dezenas de ataques desde o início de outubro. No Mar Vermelho, os houthis do Iêmen intensificaram ataques contra a Arábia Saudita.
Na Europa, Ucrânia e Rússia atingem a infraestrutura energética uma da outra antes do inverno. Kiev diz ter inutilizado metade da capacidade de refino russa. A Rússia, que antes de 2022 respondia por cerca de 10% das exportações mundiais de diesel, está em grande parte fora desse mercado.
O efeito aparece nas bombas e nos números oficiais, com gasolina e diesel em níveis recordes. Os índices de preços ao consumidor e ao produtor dos EUA aceleraram mais que o esperado, com a energia subindo no ritmo mais rápido desde março, logo após o início da guerra com o Irã.
A TD Economics explica por que o diesel é o primeiro a sofrer. "Os primeiros sinais de tensão costumam surgir não no petróleo bruto, mas nos derivados, já que diesel e querosene de aviação são particularmente sensíveis a gargalos de transporte".
Segundo a casa, o mercado absorveu o choque até aqui com rotas alternativas, estoques estratégicos, menor demanda chinesa e produção fora do Golfo.
Dos cerca de 20 milhões de barris diários que corriam risco no início do conflito, o déficit ficou em apenas 1 a 2 milhões.
Mas a TD alerta que "estoques têm limite e que rotas alternativas são mais caras”. A casa vê o sistema energético "cada vez mais vulnerável" a novos choques.
É aqui que a política entra na equação. Trump disse que os EUA não retomarão ataques aéreos dentro do Irã antes das eleições, enquanto negociadores tentam uma saída diplomática.
"O governo Trump não quer o Brent a US$ 110 por barril indo para as eleições de meio de mandato, em cerca de 15 dias, e disse que só pretende escalar as ofensivas contra o Irã depois da votação, com o que espera ser uma onda vermelha", escreveu a estrategista de macro multiativos do Rabobank, Molly Schwartz, em nota a clientes.
Ela vê risco de o Irã jogar com esse calendário. "O Irã também sabe quando são as eleições de meio de mandato nos EUA. Se quiser complicar os planos de Trump, agora é a hora perfeita para os houthis criarem problemas e tornarem cada vez mais difícil evitar uma intervenção norte-americana."
Para tentar derrubar o preço do diesel, Trump também fechou um acordo para os EUA comprarem combustível russo, rompendo com anos de sanções.
Ele pediu ainda um cessar-fogo energético entre Moscou e Kiev. Logo depois, a Rússia bombardeou usinas elétricas ucranianas, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, respondeu que seguirá atacando refinarias russas.
A TD trabalha com um cenário-base menos dramático. Os EUA e o Irã voltam à mesa de negociação, as interrupções diminuem nas próximas semanas e o petróleo WTI fica em média perto de US$ 84 o barril até o fim do ano.
Em 2027, cairia para a faixa de US$ 70 a US$ 75, desde que as negociações avancem. Se falharem, o banco avisa que o sistema ficaria exposto a "um choque de oferta mais duradouro".
Combustível mais caro significa inflação acelerada, e inflação elevada significa juros mais altos — e é aqui que o investidor sente o efeito mais de perto.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário