Os diálogos indicam que Lilian e Vorcaro se encontraram pessoalmente.

Daniel Vorcaro seria preso horas depois do suposto encontro. Segundo investigadores, ele estava tentando fugir do país em 17 de novembro em um avião particular para Malta, na Europa.

Na audiência ocorrida após a prisão, os advogados disseram que o cliente não estava fugindo do país, mas sim se deslocando para uma reunião com investidores em Dubai, numa negociação que envolvia o grupo Fictor.

Vorcaro afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a venda do Will Bank para o Mubadala Capital estava praticamente concluída e seria formalizada em 18 de novembro de 2025 — justamente no dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Master.

Segundo Vorcaro, faltavam apenas as assinaturas para concluir a operação. Ele disse que o contrato com o Mubadala estava pronto e que a assinatura ocorreria na manhã do dia 18.

“Nessa semana específica [da operação] estava concluído. Faltava assinaturas. A primeira assinatura aconteceu na segunda-feira, que foi a da Fictor. No dia seguinte, iria acontecer a venda do Will Bank para o fundo Mubadala”, disse.

A declaração foi dada durante uma acareação realizada em 30 de dezembro.

A venda mencionada por Vorcaro não foi concluída. O Will Bank acabou sendo colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em 21 de janeiro de 2026.

Na ocasião, a instituição tinha cerca de 12 milhões de clientes e oferecia produtos como cartões de crédito, empréstimos e investimentos. Segundo dados citados pela CNN Brasil, o banco havia movimentado aproximadamente R$ 7,5 bilhões no ano anterior.

O banco Master repassou R$ 27,2 milhões, entre 2024 e 2025, ao Metrópoles, site de notícias comandado pelo ex-senador Luiz Estevão, segundo documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O relatório registra os pagamentos como suspeitos ao apontar que o veículo fez “débito imediato” de valores recebidos do Master em direção a outras empresas da família de Luiz Estevão.

Ao Estado de S.Paulo, o ex-senador dono da empresa afirmou, em conversa gravada, que os pagamentos diziam respeito a duas coisas: patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, feita pelo Metrópoles, e venda dos naming rights da competição.