A primeira fábrica do mundo de curativos de pele de tilápia está sendo construída no Ceará para transformar uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros em produção industrial destinada ao tratamento de queimaduras e feridas. O post Fábrica de cu…
12 de setembro de 2026 Gislaine Lima nenhum comentário
A primeira fábrica de curativos de pele de tilápia do mundo será construída em Jaguaribara, no Ceará.
A unidade vai transformar uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros em produção industrial de um biomaterial destinado ao tratamento de queimaduras e feridas.
O projeto terá investimento de R$ 52 milhões e representa um daqueles casos em que ciência, universidade, indústria e políticas públicas conseguem caminhar na mesma direção.
A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e agora será licenciada para produção em larga escala pela empresa Biotec.
A ideia pode parecer curiosa, mas a tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros tem uma explicação científica muito foda.
A pele da tilápia é rica em colágeno, uma proteína que também desempenha papel importante na estrutura e na recuperação da pele humana.
A descoberta da UFC foi transformar essa matéria-prima em um biomaterial capaz de ser utilizado como curativo biológico para queimaduras e outras feridas.
Depois de passar por um processo específico de preparação, a pele é tratada e liofilizada, o que permite retirar a água e conservar o material por mais tempo.
Quando colocado sobre a ferida, o curativo de pele de tilápia funciona como uma barreira biológica que protege o tecido lesionado e cria condições mais favoráveis para a cicatrização.
O colágeno presente no biomaterial funciona como uma espécie de matriz de sustentação, sobre a qual ocorre a organização do novo tecido.
Isso é importante porque uma queimadura destrói parte da barreira natural da pele, deixando o tecido exposto e mais vulnerável à perda de umidade, à inflamação e à ação de agentes externos.
O organismo então precisa reconstruir o tecido, controlar a inflamação, formar novos vasos sanguíneos e produzir novas células para fechar a lesão.
A pele de tilápia favorece todo o processo e ainda ameniza a dor causada pela queimadura, tornando o tratamento mais confortável para os pacientes.
A pesquisa brasileira começou em 2015 e envolveu pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e instituições parceiras.
Em 2025, a universidade assinou um contrato de licenciamento com empresas do grupo Biotec, permitindo que a tecnologia avançasse da pesquisa acadêmica para a produção industrial.
E existe ainda um detalhe interessante: a matéria-prima vem de um subproduto da piscicultura.
Uma pele de peixe que antes poderia ser descartada ou ter baixo valor comercial passa a ser aproveitada na produção de um biomaterial médico de alta tecnologia, desenvolvido no Brasil.
Jaguaribara não foi escolhida por acaso. Fábrica de curativos de pele de tilápia
O município está localizado no Vale do Jaguaribe, próximo ao Açude Castanhão, uma das principais regiões produtoras de tilápia do Ceará.




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