Há três anos, na manhã de 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas romperam a fronteira da Faixa de Gaza e invadiram comunidades e cidades do sul de Israel. O ataque, o mais mortal da história do país, matou 1.221 pessoas, e outras 251 foram sequestradas. Leia mais (10/08/2026 - 15h00)

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Há três anos, na manhã de 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas romperam a fronteira da Faixa de Gaza e invadiram comunidades e cidades do sul de Israel. O ataque, o mais mortal da história do país, matou 1.221 pessoas, e outras 251 foram sequestradas.

As Forças Armadas de Israel responderam ao atentado com bombardeios e com uma operação terrestre na Faixa de Gaza. O território palestino foi reduzido a escombros.

O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu estabeleceu como objetivos destruir as capacidades militares e de governo do Hamas e libertar os reféns levados pelo grupo. Tel Aviv afirma desde então que seus ataques têm como alvo combatentes e estruturas militares e acusa a facção de instalar sua infraestrutura em áreas civis densamente povoadas.

- 2.mai.22 e 25.fev.26/Reprodução Google Earth

Três anos depois, o tamanho da operação pode ser medido também pelo pouco que ficou de pé. A avaliação mais recente do Unosat, centro de satélites das Nações Unidas, identificou danos em 201.290 estruturas, o equivalente a 82% de todas as construções da Faixa de Gaza. A análise foi feita a partir de imagens registradas em 16 de junho deste ano.

Desse total, 134.422 estruturas foram classificadas como completamente destruídas. Outras 13.848 sofreram danos graves; 28.096, danos moderados, e 24.924 apresentavam possíveis avarias. O órgão estima ainda que 328.627 unidades habitacionais tenham sido atingidas. Imagens de antes e depois de diferentes pontos do território, divulgadas no fim de setembro pelo serviço do Google Earth, mostram ruas e bairros inteiros substituídos por terrenos cobertos de escombros.

- 10.ago.23 e 11.jan.26/Reprodução Google Earth

A destruição continuou mesmo depois da entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro do ano passado. Na comparação com a avaliação feita pelo Unosat logo após o início da trégua, o número total de estruturas atingidas aumentou 1,5%. O de construções completamente destruídas, por sua vez, cresceu 9% entre outubro de 2025 e junho deste ano.

Um relatório do Unicef, fundo da ONU para a infância, calculou que 95,5% das 815 escolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas ao fim de 2025. Uma avaliação conjunta publicada em abril pela ONU, pela União Europeia e pelo Banco Mundial indicou ainda que mais da metade dos hospitais não funciona e apontou moradia, saúde, educação, comércio e agricultura entre os setores mais atingidos.

- 7.mai.22 e 7.jul.25/Reprodução Google Earth

A destruição dos campos agrícolas mina especialmente a capacidade de produção de alimentos. Com a maior parte das cidades também destruída, é em grandes descampados —que antes produziam comida— que palestinos puderam erguer tendas de abrigo.

- 7.mai.22 e 11.jan.26/Reprodução Google Earth

Uma análise da FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura, e do Unosat concluiu que, em junho, apenas 3% das terras agrícolas de Gaza estavam intactas e acessíveis aos palestinos. Dos 4.091 hectares de áreas cultiváveis ainda acessíveis —ou seja, dentro da área delimitada pela "linha amarela" estabelecida por Israel—, somente 448 hectares não apresentavam danos.

- 7.mai.22 e 11.jan.26/Reprodução Google Earth