Entenda como funciona a fábrica da desinformação As notícias falsas que viralizam durante períodos eleitorais não surgem por acaso. Um estudo do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra como campanhas de desinformação são planejadas, t…

18/08/2026 11h43 Atualizado 18/08/2026

Estudo do NetLab da UFRJ mostra como campanhas de desinformação em eleições são planejadas e distribuídas de forma estratégica nas redes sociais.

Pesquisadores apontam que, antes da disseminação para o público geral, as notícias falsas são testadas em grupos fechados e de nicho.

De acordo com a pesquisa, a repetição dessas narrativas é capaz de atingir pessoas além das bolhas das redes sociais.

Entenda como funciona a fábrica da desinformação

As notícias falsas que viralizam durante períodos eleitorais não surgem por acaso. Um estudo do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra como campanhas de desinformação são planejadas, testadas em grupos específicos e distribuídas de forma estratégica nas redes sociais

"A desinformação sempre foi comum em qualquer eleição, mas com as plataformas, com as redes sociais, isso tem outra escala. Uma capacidade de segmentação", diz a coordenadora do estudo, Marie Santini.

Os pesquisadores apontam que, antes de ser disseminada para um número maior de pessoas, as fakes são testadas em grupos fechados e de nicho. A repetição da narrativa também é capaz de atingir as pessoas além das "bolhas" das redes sociais.

"A desinformação hoje funciona através de uma campanha permanente, onde você vai reduzindo a resistência das pessoas a determinadas narrativas e aumentando a resistência à checagem. A pessoa começa a ser bombardeada por diferentes fontes. Uma narrativa repetida muitas vezes tem o efeito de começar a gerar dúvida em outro público que não seria o segmento principal de uma estratégia de desinformação.”

Veja como funciona a fábrica de fake news:

Caminho das Fake News — Foto: Wagner Magalhães/g1

Produção da narrativa: Os primeiros conteúdos geralmente são divulgados nos chamados sites de conteúdo duvidoso, chamados "junk news", e em vídeos do YouTube de canais com poucos seguidores.Teste de receptividade: A próxima etapa consiste em testar a aderência do discurso em grupos fechados de WhatsApp e Telegram.Bolhas e segmentos: O passo seguinte é distribuir o conteúdo em nichos por meio de grupos do Facebook e anúncios segmentados. Uma fake pode ser enviada para um grupo só de religiosos, por exemplo, e outra diferente para um grupo só com mulheres. Desinformação audiovisual: Na sequência, a informação falsa é transformada em uma peça audiovisual um pouco mais elaborada. Pode ser um vídeo curto ou mais longo, que será divulgado no Instagram, TikTok e canais médios e grandes do YouTube.Campanha "Firehose": Depois que o conteúdo foi testado em diferentes contextos, começa a campanha massiva de distribuição multiplataforma. Ela é caracterizada pelo grande volume, rapidez, continuidade e repetição.

Urna eletrônica — Foto: Reprodução/TV Globo

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