Renan Santos (Missão) é outro nome que ganha espaço no setor financeiro

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26.jul.2026 às 23h00

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Alexa Salomão Júlia Moura

Não é segredo que o mercado financeiro brasileiro, representado pela região paulistana da Faria Lima, não gosta da política econômica do PT e do presidente Lula. Apoiou Jair Bolsonaro (PL) por ser o candidato que assumiu uma linha mais liberal. A preferência, no entanto, não se aplica a Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL.

Flávio encontra enorme rejeição na Faria Lima, segundo detalharam à reportagem gestores, economistas e CEOs com a condição de não terem o nome citado. Uns poucos bolsonaristas convictos ainda prestam apoio irrestrito, mas a maioria torce pelo desembarque de Flávio. Muitos avaliam que, apesar de ser competitivo nas pesquisas, ele não vai resistir ao teste nas urnas. Hoje a expectativa é que Lula vença no segundo turno.

Para o grupo que define para onde vai boa parte do dinheiro do Brasil, a desistência de Flávio criaria ambiente para o avanço de candidatos considerados mais estáveis, como a dobradinha Ronaldo Caiado-Gilberto Kassab (ambos do PSD), cuja preferência cresce dia a dia nesse grupo. Afora o perfil mais liberal na economia, Caiado é bem avaliado por sua política de segurança pública.

Também são bem cotados os empresários Renan Santos (Missão), que tem atraído crescente simpatia por criar uma imagem de renovação, e Romeu Zema (Novo).

Um conjunto de razões erodiu a imagem de Flávio Bolsonaro no mercado financeiro.

Ter mentido sobre a proximidade em relação a Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem pediu dinheiro, pesa muito. No ranking de confiança do setor empresarial, Flávio despencou.

O que se conta, até com um tom de indignação, é que ele olhou no olho de muita gente e mentiu. As contradições na hora de explicar o financiamento de "Dark Horse", filme sobre a vida do pai, aprofundaram as desconfianças.

Como existe um inquérito sobre o caso, os integrantes do mercado financeiro também afirmam que sentem desconforto em colocar as fichas em um candidato à Presidência que seja alvo de investigações.

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A percepção agora é que paira sobre Flávio Bolsonaro um telhado de vidro que pode se espatifar a qualquer momento. O mercado convive com a perspectiva de que surja alguma nova troca de mensagem de WhatsApp ou vídeo desnudando algum novo segredo inconfessável.

Como Flávio é o principal rival de Lula nas pesquisas, que impede a ascensão de outros candidatos de direita, o maior temor é que alguma denúncia esteja sendo guardada para ser detonada no segundo turno, garantindo a reeleição de Lula.

O setor financeiro também entende que Flávio não tem demonstrado habilidade política para formar alianças. A avaliação é que ele prefere rivalizar a compor ou negociar. O embate público com a madrasta Michelle Bolsonaro (PL), vista como uma força política já estabelecida entre as mulheres, é descrito como um erro estratégico inexplicável.

Flávio demonstra ter dificuldade para mobilizar apoio de outros partidos e, segundo analistas que acompanham bastidores da política, sua candidatura está rachando até o PL.