Série especial limitada a 1.499 unidades simula transmissão manual de forma eletrônica, mantendo o V12 aspirado que gira até 9.500 rpm
Compartilhar matériaLogo após balançar o mercado com a apresentação do Luce, seu primeiro carro elétrico e de 5 lugares, a Ferrari decidiu surpreender os corações dos puristas novamente. A italiana revelou nesta sexta-feira (3) a Ferrari 12Cilindri Manuale, uma edição especial e limitada que traz de volta a icônica grelha metálica de troca de marchas (gated manual shifter), um elemento que não saía das linhas de montagem de Maranello desde o fim da produção da 599 GTB Fiorano, em 2012.
Contudo, não se trata de um retorno mecânico convencional. A Ferrari desenvolveu uma tecnologia, bastante similar à encontrada no Koenigsegg 850 CC, de simulação eletrônica que une o envolvimento físico de uma transmissão clássica à velocidade de um câmbio de dupla embreagem moderno.
A grande inovação da Ferrari 12Cilindri Manuale é o fato de que nem a alavanca de câmbio nem o pedal de embreagem possuem qualquer conexão física ou hidráulica direta com o motor ou com a transmissão automática de dupla embreagem (DCT) de 8 marchas posicionada na traseira. Todo o sistema opera por meio do conceito Manuale By-Wire, transformando movimentos físicos em sinais digitais ultra-precisos.
Para que a experiência não parecesse artificial, o departamento de desenvolvimento da Ferrari trabalhou em conjunto com a equipe responsável pelo projeto náutico da italiana, a Hypersail — que já trabalhava com tecnologias avançadas de controle por fio. O resultado é um módulo mecânico interno de alta precisão, usinado a partir de blocos sólidos de aço de alta resistência. O peso é de mais ou menos 3,5 kg.
A engenharia inseriu atuadores e rolamentos excêntricos que replicam milimetricamente o peso, a resistência de sincronização, o encaixe e até o barulho do clique metálico clássico das hastes de aço batendo nas guias de alumínio. Diferente dos carros antigos, em que a temperatura do óleo e o humor do montador alteravam a resistência das marchas, o sistema digital oferece uma consistência impecável, embora mantenha a alma do comportamento analógico.
O terceiro pedal no assoalho é outro show de simulação. A Ferrari configurou o pedal de embreagem com uma resistência de 15 kg, exatamente a mesma carga exigida pela antiga 599 GTB Fiorano. Por meio de um mecanismo analógico composto por mola de pré-carga, came e rolete, o pedal recria a curva fisiológica de curso de uma embreagem mecânica real.
Sensores de ângulo leem a posição do pé do motorista em tempo real. A lógica do software foi calibrada para a operação ser imperceptível: se o condutor errar o tempo de acoplamento entre o acelerador e a embreagem ao sair da imobilidade ou reduzir uma marcha, o carro vai dar trancos ou até mesmo estolar o motor V12, exatamente como aconteceria em um carro manual tradicional.
Segundo a Ferrari, manobras mais elaboradas, como o punta-tacco, são totalmente suportadas e incentivadas pela eletrônica.
O motorista tem total liberdade de escolha. Ao pressionar o pedal de embreagem em velocidades abaixo de 100 km/h, o veículo entra automaticamente no modo manual.
Modo Manual: O motorista opera o padrão em "H" da grelha, utilizando as seis primeiras marchas da transmissão DCT (além da ré, acessada empurrando a alavanca para baixo). As borboletas atrás do volante foram completamente removidas para garantir o ritual dos gestos. Quando no modo manual, os números das marchas no topo da manopla de alumínio acendem na cor âmbar.
Modo Automático: Ao pressionar o botão "D" no console (logo abaixo do manete), os números no topo da manopla mudam para a cor branca e o veículo passa a gerenciar as 8 marchas da caixa de dupla embreagem de forma 100% automática, garantindo conforto em engarrafamentos ou cruzeiros de longa distância (onde a 7ª e a 8ª marchas entram em ação para maior eficiência).
Mesmo no modo automático, o condutor pode usar a alavanca para pré-selecionar uma marcha. O painel digital de 12,3 polegadas mostrará graficamente como o conta-giros vai reagir assim que o motorista efetivar a mudança (permitindo ou não a mudança).
Sob o capô de abertura invertida, a Ferrari manteve o mesmo motor 6.5L V12 aspirado a 65° com cárter seco que despeja impressionantes 830 cv a 9.250 rpm e 678 Nm de torque a 7.250 rpm. O ronco do escapamento foi mantido exatamente como conhecemos na 12 Cillindri de base.
Graças à eficiência do sistema by-wire, a Ferrari afirma que um motorista habilidoso consegue extrair os mesmos números de desempenho da versão automatizada padrão. O modelo vai de zero a 100 km/h em 2,9 segundos e quebra a barreira dos 200 km/h em menos de 7,9 segundos, com velocidade máxima superior a 340 km/h. Tudo isso cobrando um preço quase nulo na balança: a versão Manuale pesa apenas 5 kg a mais do que a 12Cilindri convencional (1.565 kg seco).
A produção da 12Cilindri Manuale será estritamente limitada a 1.499 unidades para todo o mundo. O número não foi escolhido ao acaso: trata-se de uma homenagem direta à cilindrada em centímetros cúbicos (1.499 cm³) do primeiríssimo motor de doze cilindros construído pela Ferrari em 1947.
Todas as unidades passarão pelo refinado programa de personalização Tailor Made da marca, garantindo que nenhum carro seja idêntico a outro. O visual assinado pelo Ferrari Design Studio, liderado por Flavio Manzoni, traz detalhes exclusivos que diferenciam a versão:
Homenagem: O divisor dianteiro e as asas traseiras ativas recebem uma pintura em estilo pinstripe que homenageia a clássica Ferrari 365 GTB4 "Daytona".
O escudo: O famoso logotipo da Ferrari (Scudetto) nos para-lamas dianteiros é estampado em relevo utilizando uma técnica de cunhagem semelhante à de moedas valiosas. O logotipo da série especial é gravado a laser nas laterais.
Interior Temático: O console central foi redesenhado para melhorar a ergonomia da troca de marchas e ganhou uma moldura de alumínio anodizado em formato de diapasão que envolve a icônica grelha. Os bancos (disponíveis em versão Comfort ou Racing) trazem revestimento em couro e CorsaTex, adornados com seis ranhuras verticais que fazem alusão direta às seis marchas manuais.
O modelo está disponível em 25 cores históricas da paleta da marca, com destaque para o suntuoso Rosso Rubino, escolhido para o carro de lançamento, além de tons clássicos como Argento Nürburgring, Verde Zeltweg e Viola Hong Kong.



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