Em “A Torre Negra”, filme de 2017 dirigido por Nikolaj Arcel, Jake Chambers (Tom Taylor) vive em Nova York atormentado por visões que os adultos tratam com...
Em “A Torre Negra”, filme de 2017 dirigido por Nikolaj Arcel, Jake Chambers (Tom Taylor) vive em Nova York atormentado por visões que os adultos tratam como trauma, até descobrir que seus desenhos apontam para uma guerra real entre mundos. A aventura mistura ação, fantasia, drama e ficção científica ao colocar o garoto entre Roland Deschain (Idris Elba), o último pistoleiro, e Walter Padick (Matthew McConaughey), o Homem de Preto, uma figura que pretende destruir a torre responsável por manter o equilíbrio do universo. O resultado é uma adaptação ambiciosa, por vezes apressada, mas sustentada por uma boa ideia central e por um elenco que sabe dar algum peso a uma história muito maior do que o filme consegue abraçar.
Jake Chambers tem 11 anos e mora com a mãe, Laurie (Katheryn Winnick), e o padrasto, Lon (Nicholas Pauling), em Nova York. Desde a morte do pai, ele sofre com sonhos intensos, desenha criaturas, portais e uma torre ameaçada, e tenta convencer os adultos de que aquilo não é apenas fruto de sua dor. Para a família e para os especialistas que o acompanham, tudo parece ligado ao luto. Para Jake, no entanto, as imagens têm lógica, repetição e perigo.
A primeira força de “A Torre Negra” está nesse ponto de partida. O filme cria um conflito simples e eficiente. Um menino vê algo que ninguém mais vê, e sua insistência o deixa cada vez mais isolado. Quando funcionários de um suposto centro psiquiátrico aparecem para levá-lo, Jake percebe que aquelas pessoas não são exatamente humanas. Ele reconhece nelas os monstros de seus desenhos e foge antes que a internação vire uma armadilha. A partir desse momento, o enredo sai do drama familiar e entra em ritmo de caçada.
Jake segue as pistas que rabiscou no papel e chega a uma casa abandonada no Brooklyn. Ali, descobre um portal tecnológico que o leva ao Mundo Médio, um território devastado, seco e marcado por sinais de uma guerra antiga. A passagem é uma das ideias mais interessantes do filme, porque tira o personagem do espaço protegido da infância e o joga em um lugar onde ninguém tem tempo para explicar tudo com calma. Ele queria provar que não estava louco. Consegue, mas paga caro por isso. Agora precisa sobreviver em um mundo que confirma seus medos.
No Mundo Médio, Jake conhece Roland Deschain, vivido por Idris Elba. Roland é o último de uma linhagem de pistoleiros, homens treinados para proteger a torre e enfrentar forças que ameaçam os mundos. Ele carrega uma dor antiga e uma missão pessoal contra Walter Padick, o Homem de Preto. Esse histórico dá ao personagem uma dureza compreensível. Roland não aparece como herói sorridente, pronto para adotar Jake no primeiro encontro. Ele mede cada passo, fala pouco e parece sempre com um pé na próxima perda.
Idris Elba dá ao pistoleiro uma presença forte, mesmo quando o roteiro não oferece tanto espaço para que o personagem respire. Seu Roland tem postura, cansaço e uma elegância seca no modo de manejar as armas. Há uma gravidade física ali, quase um faroeste atravessado pela fantasia. O filme se beneficia disso, porque o universo de “A Torre Negra” mistura mundos paralelos, magia, portais e ruínas, mas precisa de alguém concreto no centro da ação. Elba cumpre esse papel com autoridade.
A relação entre Jake e Roland cresce pela necessidade. O garoto possui uma habilidade mental poderosa, chamada de brilho, que o torna valioso para Walter. Roland, por sua vez, conhece o inimigo, sabe usar as armas e tem a experiência que falta ao menino. Um precisa do outro, mesmo que nenhum dos dois esteja pronto para admitir isso com ternura. O filme funciona melhor quando aposta nessa convivência ríspida, com Jake tentando arrancar humanidade do pistoleiro e Roland tentando manter distância de mais uma possível perda.
Walter Padick, interpretado por Matthew McConaughey, é o vilão que deseja derrubar a torre. Ele sequestra crianças com habilidades especiais e usa essa força para atacar a estrutura que protege os universos. A ideia é boa e sombria. Crianças viram combustível de uma guerra que elas mal compreendem. Jake, por ter um brilho mais forte, passa a ser uma peça valiosa nesse plano.
McConaughey escolhe um tom frio para Walter. O personagem fala com calma, circula pelos ambientes com segurança e age sem pressa aparente, como alguém acostumado a ser obedecido. Essa escolha dá ao vilão um charme perigoso, embora o roteiro nem sempre explore toda a ameaça que ele poderia carregar. O Homem de Preto é mais interessante quando surge como presença que contamina tudo ao redor, não apenas quando aparece para demonstrar poder.
A ficção científica entra principalmente pelos portais, pelas máquinas e pelas instalações usadas para atravessar mundos. Já a fantasia aparece na torre, nos pistoleiros, nos poderes mentais e na ideia de que várias realidades dependem de uma mesma estrutura. A ação nasce da perseguição




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