Figurante de 'Dark Horse' diz ter descoberto no set que gravaria filme sobre Bolsonaro
Mônica Bergamo é jornalista e colunista
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Jullia Gouveia O ator Dover Godoi Buzoni, selecionado para compor o elenco de apoio de "Dark Horse", filme baseado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou à coluna que a equipe do longa não o contextualizou em momento algum sobre o tema da produção.
Segundo ele, os anúncios publicados nos grupos de figuração diziam apenas que seria uma obra estrangeira rodada em São Paulo. Somente quando chegou ao set de filmagem, que ficava no Hospital Indianópolis, na capital paulista, é que descobriu o enredo do longa.
Ele contou que as gravações começaram no início de novembro de 2025. A diretora de elenco teria combinado com o ator para que ele chegasse às 10h30 numa segunda-feira, mas ligou para ele às 7h pedindo sua presença. Dover, que mora em Santo André, no ABC paulista, disse que só poderia comparecer no horário acordado.
No set, o artista teria sido informado que faria o papel de um policial e recebido uma farda. Ele diz ter estranhado o clima quando chegou ao local, já que os colegas que começaram mais cedo pareciam aborrecidos.
"Eu perguntei a uma das atrizes qual era a produção e ela me disse que era o filme biográfico do Bolsonaro, que na época eu nem sabia que existia", conta. Ele diz só ter acreditado quando a colega mostrou uma prancheta com os nomes dos filhos do ex-presidente. Segundo ele, ninguém mais entre os figurantes pareceu surpreso. "Eu fui o único que descobriu naquele momento. Aí eu entendi porque muitos deles estavam mal-humorados desde cedo", especula.
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Segundo Dover, é normal na indústria que não se divulgue o nome ou o enredo do filme no momento da busca pelo elenco para que as informações não vazem. Mas ele diz que é de praxe que se converse com os atores sobre as temáticas gerais das obras antes da gravação, especialmente em assuntos delicados ou que podem causar desconforto aos atores. "O rosto e o nome são meus, eu decido onde eles vão estar", afirma.
"Eles falaram que era cena de hospital e que precisavam dos papeis de enfermeiro, médico e policial. E praticamente foi isso. Toda produção de audiovisual tem o direito de manter sigilo, mas é importante contextualizar algumas coisas com antecedência para que a pessoa não gaste tempo e transporte com isso", diz o artista.
Procurada, Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse", afirmou que a admissão dos figurantes foi feita por empresas especializadas em casting, que seriam as responsáveis pelo recrutamento, contratação e pagamento.




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