Médica defende melhorias para a Saúde que deveriam ser adotadas pelo próximo presidente, entre elas, a adoção da IA
Médica defende melhorias para a Saúde que deveriam ser adotadas pelo próximo presidente, entre elas, a adoção da IA
Sérgio Lima/Poder360 - 2.set.2026
8.set.2026 (terça-feira) - 8h20 Priorize o Poder no Google
A cardiologista Ludhmila Hajjar, professora titular de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que a fila do SUS deveria deixar de ser encarada como uma lista para se tornar um instrumento clínico de gestão. Em artigo publicado nesta 3ª feira (8.set.2026) no jornal O Globo, Hajjar propõe uma reformulação estrutural da alta complexidade no sistema público de saúde brasileiro para o próximo governo.
A proposta é que a inteligência artificial seja usada para identificar pacientes em piora clínica ou com maior risco de complicação, permitindo antecipar atendimentos. “O cidadão não pode desaparecer dentro de uma planilha”, declarou.
O argumento central do artigo é que a alta complexidade, setor em que o SUS “mais salva vidas”, opera de forma fragmentada, como um conjunto de hospitais e procedimentos isolados, quando deveria funcionar como um único sistema integrado.
Hajjar organiza sua proposta em 5 eixos. O 1º é a criação de uma Central Nacional Inteligente de Acesso à Alta Complexidade, conectada a Estados, municípios e hospitais, capaz de reunir dados dispersos sobre filas, leitos, equipamentos e capacidade ociosa.
Além dessa mudança de métrica, Hajjar propõe uma alteração no modelo de financiamento. Para a médica, o SUS deveria migrar do modelo de remuneração por procedimento para um modelo baseado em contratos de desempenho orientados por valor, recompensando hospitais que reduzem filas, diminuem complicações e apresentam melhores resultados.
O 3º eixo envolve medicamentos de alto custo. O artigo rejeita tanto a restrição ao acesso do paciente a inovações quanto a incorporação irrestrita de novas tecnologias sem avaliação de sustentabilidade. A solução proposta passa por fortalecer a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, com mecanismos como acordos de compartilhamento de risco, pagamento por resultado e renegociação de preços conforme o volume de utilização aumentar.
“Se um medicamento custa milhões e promete transformar a vida de um pequeno grupo de pacientes, o Estado precisa saber não apenas quanto gastou, mas quantos pacientes realmente responderam ao tratamento. É possível fazer isso. O paciente recebe. O sistema acompanha. O resultado é medido. O pagamento pode estar parcialmente vinculado ao benefício produzido. Isso é inteligência aplicada à saúde pública”, exemplificou.
A integração de dados clínicos compõe o 4º eixo. Segundo Hajjar, hoje, um paciente pode transitar pela atenção básica, realizar exames em um município, consultar especialista em outro e ser internado em um 3º, sem que nenhuma dessas informações esteja efetivamente conectada.
A solução exigiria um prontuário que acompanhe o cidadão, não o hospital, e um sistema capaz de identificar, em tempo real, onde há capacidade ociosa. “Se um hospital está com 100% de ocupação e outro, a poucos quilômetros, tem capacidade disponível, o sistema precisa saber”, escreve.
O 5º eixo é a regionalização. Para Hajjar, alta complexidade não deve ser sinônimo de grandes hospitais ou inaugurações. Procedimentos raros e extremamente complexos precisariam se concentrar em centros de excelência com volume suficiente para garantir qualidade. Diagnóstico, acompanhamento e parte da recuperação poderiam ocorrer mais próximos do paciente. “É preciso regionalizar sem fragmentar. Concentrar expertise quando necessário e distribuir acesso quando possível.”
Hajjar propôs que o próximo presidente apresente um Plano Nacional de Alta Complexidade 2030, com os seguintes compromissos: reduzir o tempo de espera; integrar dados e regulação; financiar com base em qualidade e resultado; acelerar o acesso responsável à inovação; e criar uma rede nacional de centros de excelência conectada digitalmente.
O artigo também defende que o governo federal use com mais efetividade seu poder de compra para negociar preços de medicamentos, órteses, próteses e equipamentos.
Para Hajjar, o objetivo do próximo governo não deve ser aumentar o gasto, mas entregar mais saúde com cada real investido. “Responsabilidade fiscal e SUS forte não são conceitos opostos. Ao contrário. Um SUS inteligente desperdiça menos. Um SUS integrado demora menos. Um SUS que mede resultados melhora mais”, afirmou.




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