Profissionais relatam demanda por escuta, afeto e apoio prático

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12.set.2026 às 12h00 Atualizado: 14.set.2026 às 13h36

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A empresária Graziela Benossi, 49, percebeu que os idosos que iam à farmácia dela em São José do Rio Preto, a 440 quilômetros da cidade de São Paulo, não precisavam apenas de remédios. "Eles queriam companhia, alguém que parasse para ouvir", diz à Folha.

Em 2023, ela vendeu o comércio e criou um serviço para acompanhar idosos em atividades do cotidiano, como consultas médicas, passeios e compras em supermercados —com o nome de "Filha de Aluguel".

"Transformei o que eu já fazia naturalmente em uma profissão", conta. "O meu maior diferencial está na companhia. Eu coloco a música certa, ouço as histórias e percebo quando o idoso está quieto demais. Faço o que um filho gostaria de fazer, mas a rotina não permite."

O serviço de acompanhantes de idosos deve se tornar cada vez mais comum no país, segundo especialistas, devido à nova configuração do envelhecimento no Brasil.

"As famílias são cada vez menores. Com o aumento da estimativa de vida, muitas dessas pessoas podem estar sozinhas, sem rede de suporte e sem condições de realizar o que precisam", diz a geriatra Maysa Seabra, da Escola Paulista de Medicina.

Para a psicóloga Valmari Aranha, esse tipo de serviço é uma necessidade para muitas pessoas. Mas isso não significa que ele represente um abandono dos idosos, e sim um complemento ao que é feito pelas famílias, diz ela.

"Essa é uma realidade, principalmente nos grandes centros, onde as pessoas moram distantes. Existe uma dificuldade para as pessoas estarem próximas dos familiares idosos, independentemente do vínculo afetivo que se tenha", afirma.

A empresária Josiane Martins, 55, sempre foi muito próxima à mãe, por isso percebeu uma dificuldade que acompanhava a matriarca e as amigas idosas dela quando saíam.

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"Elas não sabiam mexer em aplicativos, então não conseguiam pegar um transporte pra voltar. Eu tinha que buscá-las, por isso brincava que eu era a 'neta de aluguel'. No fim, virou um serviço e comecei a acompanhar vários idosos em supermercados, prova de vida ou outras atividades", diz.

Hoje, ela tem uma empresa focada em cuidados com idosos em Vitória (ES). Além de acompanhantes, também começou a oferecer serviços com cuidadores.

As duas ações têm finalidades diferentes. As atividades de acompanhantes são destinadas a idosos que têm alguma autonomia e sem doenças graves. Já aqueles que têm algum tipo de limitação física ou cognitiva costumam precisar de um cuidador.

Muitos desses "familiares de aluguel" não têm formação na área de saúde, inclusive.