Escolha por chapa "puro sangue" ocorre depois de Republicanos e PP anunciarem neutralidade na disputa de outubro. Gaspar foi relator da CPMI do INSS e pediu a prisão de Lulinha.
Filiado ao Partido Liberal (PL), Gaspar, de 55 anos, está na Câmara dos Deputados desde 2023. Anteriormente, atuou como secretário de segurança pública de Alagoas e foi promotor e procurador-geral de Justiça.
Ele ganhou visibilidade nacional há quase um ano, quando virou relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as fraudes dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Na CPMI, Gaspar chegou a pedir a prisão de Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. No entanto, o relatório final elaborado por ele acabou rejeitado por 19 votos a 12, e a comissão foi concluída em março deste ano sem um texto final aprovado.
"[Gaspar] tem autoridade para abordar um assunto que deixa Lula desconfortável. Ele também fala bastante sobre segurança pública", disse Lucas de Aragão, sócio da consultoria política Arko Advice, citado pela agência Reuters.
Alfredo Gaspar havia lançado, nesta terça-feira (04/08), sua campanha ao Senado em Alagoas. O deputado surgiu como a escolha interna do PL para ser o vice de Flávio Bolsonaro depois que outras figuras indicadas pelo senador para a vaga – como a senadora Tereza Cristina e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal – não conseguiram obter apoio de seus partidos para integrar a chapa.
Apesar da orientação à direita, siglas como o Partido Progressista (PP), de Cristina, e o Republicanos, de Marques, se recusaram a endossar Flávio em âmbito nacional. Segundo o cálculo político, manter neutralidade na corrida presidencial é a melhor estratégia para maximizar a representação no Congresso, na esperança de atrair eleitores que se opõem a Flávio Bolsonaro no Nordeste do Brasil e em outros redutos de Lula.
Durante o anúncio do vice, em Brasília, Flávio agradeceu a Tereza Cristina, presente na cerimônia, e Renata Abreu, deputada federal por São Paulo pelo Podemos.
"Essa pessoa que estará na nossa caminhada, eu aprendi a admirar, e todos nós aprendemos a admirar pela coragem, honestidade pela sua história à frente da segurança pública, alguém que já foi promotor de Justiça, chefe do Ministério público no seu estado", disse Flávio Bolsonaro. "Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório. E alguém que representa o Nordeste de fato", acrescentou o cabeça na chapa do PL.
Fcl/le (Reuters, Lusa, EFE, ots)




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