Em entrevista, pré-candidato também afirma que tentou "sensibilizar" Trump contra tarifaço e nega ter atuado pensando na eleição
O pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, disse que não sabe por que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou um vídeo contra ele, mas que ela é bem-vinda em sua campanha à Presidência, cujo principal objetivo é derrotar o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista a um podcast, o presidenciável também defendeu sua atuação nos Estados Unidos e disse que tentou "sensibilizar" o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o novo tarifaço.
"Não sei por que ela está fazendo isso. Não tem uma lógica, não tem um jogo combinado", afirmou Flávio, durante participação no Flow Podcast nesta quarta-feira (15). O senador disse que hoje em dia não tem "nenhuma relação" com a madrasta, mas que a respeita.
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"Estou cumprindo uma missão dada pelo meu pai. Espero que em algum momento todo mundo compreenda que o inimigo do meu pai está do outro lado", declarou. Flávio afirmou que preferiu não assistir ao vídeo postado por Michelle, para não se "contaminar", mas que soube o teor.
"[Ela] vem a hora que quiser, se quiser vir também. Eu estou dando o meu melhor, eu preciso de todo mundo. E obviamente que vão estar sempre as portas abertas, não apenas a ela, mas a todo mundo, contra o inimigo do Brasil, que é o atual governo. Tem que deixar qualquer divergência de lado", disse.
Flávio Bolsonaro disse que sua participação na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) teve o objetivo de "sensibilizar" Trump contra a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros. A decisão oficial do governo americano é aguardada para esta quarta-feira.
Na ocasião, Flávio argumentou que agora seria "o pior momento possível" para os Estados Unidos tomarem uma medida contra o país. Ele justificou que as eleições ocorrem neste ano e pediu que os membros da comissão não imponham tarifas aos produtos brasileiros.
O presidenciável negou que tenha pedido para os EUA "tarifarem depois" as importações brasileiras e voltou a culpar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que ele "almejou essas tarifas" com interesse eleitoral.
Segundo ele, sua ida à audiência teve o objetivo de mostrar que "o Brasil vai ter eleições daqui a pouco" e, em caso de vitória da candidatura bolsonarista, "o Brasil vai passar a ter um presidente da República que vai sentar de igual para igual" com os EUA.
"Nós temos diversas coisas aqui que podem interessar aos Estados Unidos e vice-versa. 'Vamos sentar e ver o que é melhor para o Brasil e para vocês, sem tarifa sobre a mesa. Espera só um pouquinho.' Foi a minha tentativa de sensibilizar o cara [Trump]. Era a arma que eu tinha. Não foi por causa de eleição", afirmou.
Flávio também negou que o irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, tenha trabalhado pela imposição das tarifas de 2025. "Ele levava informações para o governo americano", disse, classificando como "narrativa do governo" brasileiro a ideia de que Eduardo tenha sido responsável pela medida.
O senador afirmou que Lula "provocou" Trump com críticas públicas, atacou o dólar como moeda para transações internacionais e levou o Brasil a ser visto internacionalmente como um país "antiamericano". Ele voltou a classificar a sobretaxa como "tarifaço do Lula" e insistiu que sua ida à audiência foi uma "tentativa de defender o Brasil".
O governo Trump deve anunciar se aplicará novas tarifas a exportações do Brasil com base na Seção 301, um dos principais instrumentos de política comercial dos Estados Unidos. A expectativa é que seja implementada uma nova taxa de 25%.



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