Filho de Jair Bolsonaro transmite live dos EUA, para onde fugiu após derrota nas eleições

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30.out.2026 às 21h18 Atualizado: 30.out.2026 às 23h20

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Brasília, Washington e São Paulo

O candidato derrotado à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta sexta-feira (30), que sua fuga para os Estados Unidos após perder o segundo turno "não é sinal de fraqueza". Além disso, ele voltou a insinuar fraude no resultado do pleito sem apresentar provas e falou em haver "novas eleições" antes de 2030.

Dois dias após divulgar uma carta com teor golpista e de ser isolado pelas principais lideranças da própria direita, Flávio fez uma transmissão ao vivo no Instagram por cerca de 20 minutos, no que foi sua primeira fala a apoiadores desde que fugiu do país, na terça-feira (27).

Ele relatou ter tomado a decisão de ir embora do Brasil em uma conversa com sua esposa, Fernanda Bolsonaro, poupando aliados de envolvimento na organização da fuga. Repetiu uma narrativa golpista semelhante à de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2022, falando em desconfiança no sistema eleitoral, mas agradeceu aos apoiadores pelos cerca de 60 milhões de votos.

"Isso [os 60 milhões de votos] me dá muita força, muita consciência, ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for, para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não, eu estou falando de antes disso", disse.

O senador anunciou, na segunda (26), que entraria com uma ação eleitoral por abuso de poder político e econômico, acusando o presidente Lula (PT) de ter usado a máquina pública para ganhar a eleição —um exemplo seria o aumento no valor do Bolsa Família concedido às vésperas do pleito.

Na live desta sexta, ele disse que Lula fez "gols de mão" e mencionou governadores cassados sob a mesma acusação de uso da máquina. "Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram anulados pelo VAR [árbitro de vídeo]. Jogou completamente fora da legislação eleitoral", completou.

Caso a Justiça Eleitoral entenda que houve abuso de poder e casse a chapa eleita num período de menos de dois anos após o último pleito, o país passaria por um nova eleição direta para a Presidência, conforme determina a lei. Se fosse em menos de dois anos, o pleito seria indireto.

Ao mesmo tempo em que sinaliza este tipo de ação, porém, Flávio manteve discurso, sem apresentar nenhum indício, de que teria havido fraude eleitoral —tese que seus advogados já tinham o aconselhado a descartar. Ele repetiu que não concorda com a proclamação do resultado da eleição pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, sem provas, declarou que seria "matematicamente impossível" o que ocorreu no pleito, o que não é verdade.

O candidato do PL saiu na frente no primeiro turno, em 4 de outubro, mas, em uma virada histórica, Lula ganhou 10 milhões de votos e bateu o bolsonarista. O petista teve 51,79% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,21% do senador. O presidente da corte eleitoral, Kassio Nunes Marques, que é próximo do clã bolsonarista e que deu decisões pró-Flávio na campanha questionadas pela campanha de Lula e por especialistas, reconheceu o resultado das urnas.

Na live, Flávio, que tentou se vender como um "Bolsonaro moderado" na campanha eleitoral, chegou a insinuar que os eleitores de Lula não eram reais e falou que as eleições ocorrem diante de um "manto de desconfiança" sem mais camadas de segurança, repetindo discurso do pai.

"É uma honra que poucos no Brasil podem carregar, ser tão bem votado assim, sabendo que meus votos realmente vieram de eleitores reais."

Flávio também falou em queda do governo Lula e fez referência à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu um impeachment em 2015.

"Se ele [Lula] fizer aquilo que ele prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido. Então infelizmente o Brasil está fadado a quebrar. Eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República, muito antes do que muita gente imagina", disse.

Quando há impeachment de presidente, é o vice quem assume o governo –Geraldo Alckmin (PSB) no caso. Na hipótese de ambos os cargos ficarem vagos, há nova eleição direta, se ocorrer em menos de dois anos após a eleição, ou indireta, via Congresso, se for após dois anos.