A 18 dias do 1º turno, candidato do PL dedica três dias seguidos a agendas na região

O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), reforçou a estratégia de colar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à do ministro Alexandre de Moraes, atingido pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira (16), disse que Lula “deve seu mandato” a Moraes. A declaração foi dada em agenda de campanha de Pernambuco, parte do giro pelo Nordeste por meio do qual Flávio busca atingir o petista em outra frente: reduzir sua vantagem eleitoral na região. Com atividades eleitorais no Ceará, Pernambuco e Bahia, a campanha do senador tenta diminuir a votação do presidente em Estados em que Lula foi bem votado em 2022.

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“Ontem [terça-feira, 15] Lula criticou [Moraes], hoje já elogiou, já passou a mão na cabeça... Tá devendo, Lula?”, afirmou em ato de campanha no Recife.

Em discurso na capital pernambucana, Flávio afirmou que quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Flávio afirmou que a sessão do STF, encerrada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, após pedido de vista de Dino, foi digna de “nojo” e um “show de hipocrisia, de deboche e de falta de respeito” com “ministros militantes que não representam o Judiciário”.

O presidenciável do PL disse que, se eleito, vai indicar cinco ministros ao STF que sejam contra o aborto e as drogas — a conta considera um eventual afastamento de Moraes. “Imagina como ficará o STF se esse governo continuar por mais quatro anos?”, disse enquanto a plateia entoava o coro “Fora Moraes”.

Flávio fez dois dias seguidos de agendas no Ceará, na terça (15) e quarta-feira (16), em encontros com lideranças políticas, comícios e caminhadas, antes de seguira para Pernambuco. O presidenciável do PL foi a Fortaleza e Juazeiro do Norte, cidade conhecida como a terra do Padre Cícero, na região do Cariri, segundo maior colégio eleitoral do Ceará, com cerca de 800 mil eleitores.

Nesta quinta-feira (17), deve ir a Vitória da Conquista, na Bahia. No fim de agosto, foi a Maceió e Arapiraca, em Alagoas, Estado pelo qual seu vice na chapa, Alfredo Gaspar, elegeu-se deputado.

Aliados de Flávio avaliam que Lula deve vencer nos Estados do Nordeste, mas a estratégia da campanha do PL é tentar reduzir a vantagem do petista na região, o que pode prejudicá-lo na soma geral dos votos no país. Na eleição passada, a vantagem registrada por Lula em colégios eleitorais nordestinos ajudou a “compensar” a desvantagem em Estados de outras regiões, como Sul e Sudeste.  

No Ceará, Lula venceu no segundo turno da eleição de 2022 com 2,17 milhões de votos a mais do que o então presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista teve 69,9% dos votos ante 30,03% do adversário. Na Bahia, a diferença foi ainda maior: 3,7 milhões de votos a mais no segundo turno, com um resultado de 72,1% dos votos ante 27,88% de Bolsonaro. Em Pernambuco, Lula teve 1,8 milhão de votos a mais, com 66,9% do total de votos a 33,07% do então presidente.

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A vantagem de Lula nos Estados nordestinos junto com a redução da diferença em relação a Bolsonaro em Estados como São Paulo, na comparação com 2018, ajudaram na vitória do petista. Em São Paulo, o PT reduziu a desvantagem de 8 milhões de votos em 2018 para 2,6 milhões em 2022, no segundo turno.

Agora, a campanha de Flávio tenta diminuir a desvantagem no Nordeste e ampliar os votos em Estados das regiões Sul e Sudeste.  

No Ceará, a pesquisa mais recente do Datafolha, do início do mês, mostra Lula com 52% das intenções de voto no Estado, ante 21% de Flávio. O percentual de intenções de voto registrado é menor do que o obtido por Lula no primeiro turno de 2022, quando recebeu 65,91% dos votos  (e 69,9% no segundo turno).

Lula aposta nos palanques dos candidatos a governo de Estados do Nordeste para tentar barrar o avanço bolsonarista. No entanto, a campanha do petista teme a desmobilização da base em um eventual segundo turno da campanha presidencial, se a disputa em Estados estratégicos como Ceará, Bahia e Pernambuco terminar no primeiro turno, como indicam as pesquisas de intenção de voto.

Líder nas pesquisas no Ceará, o candidato Ciro Gomes (PSDB) rompeu com Lula, mas não aderiu à campanha de Flávio, apesar de o PL participar de sua chapa. Nos dois dias em que Flávio esteve no Ceará, Ciro não participou de eventos da campanha do presidenciável nem tirou fotos ou gravou vídeos com o senador. Em julho, quando o senador esteve no Estado, o candidato do PSDB também o evitou. “Nós estamos em uma democracia. Esse Estado aqui é libertário, gosta de receber todo mundo”, desconversou Ciro, ao ser questionado por jornalistas sobre sua ausência nos eventos de Flávio.

O material de campanha de Ciro tem as imagens de Lula em parte da propaganda e de Flávio, em alguns adesivos e panfletos.

A equipe de Ciro busca o voto “CiroLula”, apesar de o presidente apoiar a reeleição do atual governador, Elmano de Freitas (PT). Lula foi ao Estado no começo do mês e deve voltar no fim da próxima semana, perto do primeiro turno.

Em Pernambuco, os dois candidatos que lideram a disputa, a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e o ex-prefeito João Campos (PSB), apoiam Lula. O presidente resistia a ir ao Estado para não desagradar os aliados, mas deve ir na próxima semana, para subir no palanque de Campos.

Na Bahia, o presidente apoia a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que está em uma disputa acirrada contra o ex-prefeito ACM Neto. Apesar de ACM Neto declarar voto em Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial, aliados do candidato ao governo trabalham pelo voto casado estadual com Lula e evitam vincular a imagem do candidato a Flávio.

Em outra frente, o presidente tem reforçado as agendas no Sudeste, no Rio, em Minas Gerais e em São Paulo, os três maiores colégios eleitorais do país, onde Flávio aparece numericamente à frente no segundo turno, segundo pesquisa Quaest da semana passada.