Canal de notícias pediu desculpas pela fala de jornalista no programa 'Em Pauta' sobre movimento da Igreja Católica reagindo à parcela de evangélicos que estaria mobilizando projeto para tirar de N. Sra. Aparecida a condição de padroeira do país
A GloboNews divulgou uma correção e pediu desculpas após um comentário exibido no programa “Em Pauta” alimentar, nas redes sociais, a versão de que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apoiaria projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A correção foi lida pela apresentadora Marcelly Setúbal na Edição da Meia-Noite, exibida já na madrugada desta sexta-feira (25).
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O episódio começou na noite de quinta-feira (24). Em análise no programa, a comentarista Maria Cristina Fernandes afirmou que haveria na Igreja Católica uma reação a um grupo de evangélicos que estaria mobilizando projeto de lei para tirar da santa a condição de padroeira, e avaliou que o movimento poderia favorecer o presidente Lula entre o eleitorado católico. A fala não atribuía a proposta ao candidato do PL, mas o trecho passou a circular nas redes. As publicações usavam o recorte do telejornal para sustentar que Flávio teria planos de retirar, ou de apoiar a retirada, do título da padroeira. A história viralizou nas redes sociais.
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A proposta mencionada não é atual. Trata-se do Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, que pretendia mudar a lei do feriado de 12 de outubro para trocar a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O texto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008. Flávio Bolsonaro não tem relação com a autoria da proposta.
Foi exatamente esse ponto que a GloboNews esclareceu. Na correção, o canal informou que o projeto foi apresentado em dezembro de 2007 e arquivado pela Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2008, encerrando a nota com um pedido de desculpas.
Flávio reagiu ainda na quinta-feira, em vídeo gravado durante agenda em Minas Gerais. No material, divulgado nas redes, ele acusou a militância petista de inventar a informação. "Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto", afirmou. Na legenda, o senador disse respeitar todas as religiões e também quem não tem religião, e criticou Lula por, segundo ele, querer interferir nas regras da Igreja Católica. O candidato também compartilhou a correção feita pela GloboNews.
A equipe jurídica da campanha avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e já trabalha para identificar os perfis que deram origem à publicação.
O caso ocorre em meio à crescente presença do tema religioso na corrida presidencial. A associação do assunto a Flávio ganhou força a partir de uma declaração dada pelo senador na pré-campanha, quando disse que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo. Nas últimas semanas, vídeos de bispos e arcebispos circularam nas redes, e cartilhas distribuídas em paróquias orientariam fiéis a considerar critérios como compromisso com a soberania nacional e com a população mais pobre. Também repercutiu uma homilia de Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida, feita na Basílica Nacional. Na celebração, ele disse que os eleitores devem votar segundo a própria consciência e o bem comum, fala que passou a ser lida como parte da mobilização de setores católicos diante da possibilidade de um presidente ligado ao campo evangélico.
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