A crescente procura por infraestrutura digital para suportar a Inteligência Artificial (IA) está a empurrar as grandes tecnológicas para soluções cada vez mais criativas. A Samsung Heavy Industries quer tirar os centros de dados...
28 Jun 2026 · Notícias 12 Comentários
A crescente procura por infraestrutura digital para suportar a Inteligência Artificial (IA) está a empurrar as grandes tecnológicas para soluções cada vez mais criativas. A Samsung Heavy Industries quer tirar os centros de dados de terra firme e colocá-los no oceano.
A explosão da IA generativa trouxe consigo um problema logístico de infraestrutura. Espaço, energia e arrefecimento são os três grandes obstáculos dos centros de dados tradicionais em terra.
Por isso, a Samsung Heavy Industries, divisão de construção naval do Grupo Samsung, acredita ter encontrado uma resposta: os Floating Data Centers (FDC), ou seja, centros de dados flutuantes instalados em embarcações no mar.
O projeto ganhou tração na Posidonia 2026, a maior exposição marítima do mundo, realizada em Atenas, onde a Samsung Heavy Industries assinou um acordo com a grega Capital Clean Energy Carriers Corp e a Lloyd's Register.
O conceito é simples na teoria, mas complexo na execução: construir navios de raiz especificamente preparados para albergar infraestrutura de centro de dados, algo diferente do que outros estão a tentar.
Enquanto a Hitachi está, em parceria com a Mitsui O.S.K. Lines, a converter navios existentes em plataformas de data center reutilizadas, a Samsung aposta na construção de embarcações de origem concebidas especificamente para o efeito.
O modelo FDC de 50 MW que a empresa desenvolveu já obteve aprovação do American Bureau of Shipping e do Lloyd's Register, que confirmou a viabilidade técnica do design, incluindo a integridade estrutural e a integração de sistemas de geração de energia a bordo.
Uma das grandes vantagens destes centros de dados flutuantes está no arrefecimento. A água do mar é bombeada através de um sistema de permuta de calor em circuito fechado, onde absorve o calor gerado pelos servidores e o devolve ao oceano sem qualquer contacto direto com os equipamentos informáticos.
Este mecanismo elimina o consumo de água doce e pode reduzir o consumo energético destinado ao arrefecimento entre 40 a 60% face aos sistemas convencionais de ar condicionado.
Maquete de um projeto de centro de dados flutuante no stand da Samsung Heavy Industries na Data Center World, em Washington. Crédito: Rich Miller
Além do acordo com a Capital Clean Energy e a Lloyd's Register, a Samsung Heavy Industries assinou também um acordo com a Supermicro, especialista norte-americana em servidores para IA, com o objetivo de desenvolver configurações de servidores adaptadas ao ambiente marinho.
Mais recentemente, juntou-se ainda a Mousterian Corporation, empresa sediada em Dallas especializada em infraestrutura de centros de dados flutuantes e "adjacentes à água".
Transformar um centro de dados numa embarcação marítima não é tarefa fácil. A parceria com a Capital Clean Energy serve, por isso, para validar o conceito com protótipos reais, testando potenciais problemas relacionados com a humidade, a salinidade, as vibrações e a fiabilidade das workloads em ambiente marítimo.
As questões práticas que ainda ficam em aberto incluem o custo de construção de uma unidade de 50 MW, o prazo entre contrato e entrada em operação, e quais os mercados costeiros que a Samsung e a Capital irão visar primeiro.
O que é certo é que a Samsung está a montar peça a peça toda a estrutura comercial necessária para lançar este produto, nomeadamente certificação, tecnologia, análise de mercado e hardware adaptado ao mar, antes de construir um único navio.
Se o modelo de centros de dados flutuantes se provar viável, algumas das estruturas da Samsung poderão, no futuro, ser instaladas algures no oceano.
China vai construir um centro de dados debaixo de água, pela primeira vez
Imagem: Cortesia da Samsung Heavy Industries, via Chosun Biz
Neste artigo: centro de dados, samsung


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