Furto de vírus: imagens mostram retirada de amostras de laboratório da Unicamp Alvo de apuração por possível favorecimento por uso indevido de estrutura pública, a AgroTRIX, empresa dos pesquisadores Soledad Palameta Miller e Michael Edward Miller, investigados pela Polícia Federal (PF) por furto de vírus da Unicamp, foi criada com a proposta de desenvolver vacinas orais para o setor agropecuário. Na ficha de projeto submetida à Inova, agência de inovação da Unicamp, e

Por g1 Campinas e Região

25/08/2026 04h01 Atualizado 25/08/2026

A PF investiga o casal de pesquisadores Soledad e Michael Miller pelo furto de vírus na Unicamp. A startup deles, AgroTRIX, desenvolvia vacinas orais para o agronegócio.

A PF localizou microtubos com amostras biológicas no congelador da cozinha do casal. Outros materiais estavam em laboratórios de engenharia de alimentos e biologia da Unicamp.

Imagens de câmeras mostram o casal acessando áreas restritas do laboratório. Michael trabalhava sem equipamentos de proteção obrigatórios, e Soledad entrou no local após se desligar da pesquisa.

A Unicamp instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar as infrações dos envolvidos. A universidade também bloqueou definitivamente o acesso de ambos os investigados às instalações de pesquisa.

Furto de vírus: imagens mostram retirada de amostras de laboratório da Unicamp

Alvo de apuração por possível favorecimento por uso indevido de estrutura pública, a AgroTRIX, empresa dos pesquisadores Soledad Palameta Miller e Michael Edward Miller, investigados pela Polícia Federal (PF) por furto de vírus da Unicamp, foi criada com a proposta de desenvolver vacinas orais para o setor agropecuário.

Na ficha de projeto submetida à Inova, agência de inovação da Unicamp, e que integra o processo relativo ao caso, a AgroTRIX aposta no desenvolvimento de tecnologias de imunização que possam reduzir custos e facilitar a aplicação de vacinas em larga escala.

O projeto destaca o uso de conhecimentos avançados em virologia, biologia molecular e produção de imunobiológicos para criar produtos destinados ao agronegócio.

"Os fundadores têm extensa experiência em biotecnologia e vigilância epidemiológica de agentes infecciosos, o que os qualifica bem para compreender as necessidades e os desafios do mercado atendendo à crescente demanda por ferramentas mais eficazes e sustentáveis", diz um trecho do documento.

Uma das linhas de investigação busca esclarecer se a estrutura e os recursos científicos da universidade teriam sido utilizados para impulsionar o desenvolvimento tecnológico da startup, e o uso de conhecimento produzido em ambiente acadêmico em projetos com exploração comercial.

Furto de vírus na Unicamp: imagens mostram suspeitos retirando material de laboratório

A apuração ocorre no contexto das investigações sobre o desaparecimento de amostras virais mantidas em laboratórios da Unicamp. Amostras biológicas foram encontradas na cozinha do casal, durante buscas da PF.

No entanto, não há até o momento comprovação nos autos de que amostras desaparecidas tenham sido desviadas para beneficiar a AgroTRIX, nem de que tenha ocorrido favorecimento privado irregular.

O g1 tenta contato com a defesa do casal.

Sobre o caso, a Universidade Estadual de Campinas informou em nota que concluiu uma sindicância sobre o suposto furto e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apuração de possíveis infrações cometidas pelos envolvidos nas ocorrências -- leia o posicionamento completo abaixo.

Onde as amostras foram encontradas

Segundo os documentos do inquérito, a PF localizou materiais em três locais:

1. Casa de Michael Edward Miller: seis caixas plásticas com divisórias, contendo microtubos com amostras biológicas e marcações manuscritas, foram encontradas no congelador da cozinha. As fotos da PF mostram que havia uma embalagem de frango congelado no mesmo compartimento em que as amostras foram depositadas.