Furto de vírus: imagens mostram retirada de amostras de laboratório da Unicamp Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito da Polícia Federal que investiga o furto de vírus da Unicamp, em fevereiro deste ano, mostram a pesquisadora Soledad Palameta …
Por Yasmin Castro, Gabriella Ramos, g1 Campinas e Região
24/08/2026 12h43 Atualizado 24/08/2026
Imagens de câmeras de segurança mostram a pesquisadora Soledad Miller e seu marido, Michael Miller, retirando amostras de vírus de laboratório da Unicamp.
O veterinário Michael circulava por áreas restritas e de segurança máxima à noite e sem os equipamentos de proteção individual exigidos para agentes infecciosos.
Em 24 de fevereiro, as câmeras apagaram por quase 2 horas. No entanto, o sistema biométrico registrou acessos de Michael à sala de segurança máxima.
Na manhã de 25 de fevereiro, Michael saiu do local com uma caixa de isopor. Logo depois, funcionários constataram a falta das amostras no biofreezer.
Furto de vírus: imagens mostram retirada de amostras de laboratório da Unicamp
Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito da Polícia Federal que investiga o furto de vírus da Unicamp, no início deste ano, mostram a pesquisadora Soledad Palameta Miller e o marido dela, o doutorando Michael Edward Miller, entrando em áreas restritas do Laboratório de Virologia e saindo com amostras.
Os registros, aos quais o g1 teve acesso nesta segunda-feira (24), mostram movimentações consideradas atípicas, inclusive à noite, aos fins de semana e durante períodos de recesso, além de acessos ao laboratório de segurança máxima NB-3 sem os equipamentos de proteção exigidos (assista ao vídeo acima).
As imagens não mostram o momento exato em que os frascos de vírus são retirados dos biofreezers. No entanto, segundo o relatório de incidente que integra o processo, os registros de vídeo, associados aos dados de acesso por biometria e à constatação do desaparecimento das amostras, são apontados como indícios da retirada do material.
O caso veio à tona em fevereiro de 2026 e passou a ser investigado pela PF como furto qualificado por abuso de confiança. Segundo a denúncia, pelo menos 24 cepas de vírus foram retiradas do laboratório do Instituto de Biologia e encontradas posteriormente em outros prédios da própria universidade.
Em nota, a Unicamp informou que concluiu uma sindicância sobre o suposto furto e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apuração de possíveis infrações cometidas pelos envolvidos nas ocorrências.
A sindicância sugeriu estudos para novas normativas com o objetivo de disciplinar rigorosamente a criação, funcionamento e acompanhamento de laboratórios de biossegurança de alto risco.
Enquanto os estudos estão e, a instituição já aplicou medidas preventivas e restritivas, incluindo "a auditoria dos laboratórios envolvidos para a verificação de protocolos, o bloqueio definitivo do acesso dos investigados às instalações de pesquisa e o reforço no monitoramento dos sistemas de controle biométrico e de vigilância das áreas de contenção".
"A instituição não tolera qualquer desvio de conduta que coloque em risco a saúde pública ou a integridade de suas pesquisas. A universidade reafirma que assegura aos envolvidos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa", disse a Unicamp, que ressaltou que colabora com as investigações das autoridades.
Ausência de EPIs e entrada sem autorização
Michael entra no laboratório transportando uma caixa de papelão — Foto: Reprodução
As gravações revelam que Michael circulava frequentemente pelos laboratórios Geral, NB-2 e na área de biossegurança máxima NB-3 em horários noturnos, finais de semana e durante o recesso acadêmico, quando as instalações estavam vazias e sem a presença da supervisão responsável.
Em diversas ocasiões, o veterinário foi filmado entrando e trabalhando na sala NB-3 sem utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) obrigatórios para a manipulação de agentes infecciosos de alto risco, como os vírus da dengue, chikungunya, zika, H1N1 e coronavírus humano.
O sistema também registrou a circulação da professora Soledad Palameta Miller nas áreas restritas NB-2 e NB-3, apesar de ela ter se desligado formalmente do grupo de pesquisa em janeiro de 2025, o que caracterizou ingresso não autorizado em ambiente controlado.




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