Jovem fumando cigarro eletrônico: entre os que se declaram fumantes, 63% avaliam a própria saúde como “ótima/boa” | Foto: Magnific A geração que cresceu vendo campanhas antitabagismo é hoje a que mais fuma no Brasil. Entre os jovens de 16 a 24 anos, que pertencem à Geração Z, 19% se declaram fumantes ativos, de cigarros comuns ou eletrônicos, acima da média nacional (17%) e de todas as demais faixas etárias.Os dados são da pesquisa “A saúde do brasileiro, há

A geração que cresceu vendo campanhas antitabagismo é hoje a que mais fuma no Brasil. Entre os jovens de 16 a 24 anos, que pertencem à Geração Z, 19% se declaram fumantes ativos, de cigarros comuns ou eletrônicos, acima da média nacional (17%) e de todas as demais faixas etárias.

Os dados são da pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C. Camargo Cancer Center com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de duas mil pessoas nas 27 unidades da Federação.

Apesar de avanços no combate ao vício, o tabagismo não é um problema vencido no Brasil, destaca Helano Freitas, médico oncologista e líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo.

“Além disso, a população jovem, abaixo de 24 anos, é a mais suscetível ao tabagismo. É comum os jovens se arriscarem mais, o problema é que hoje eles se expõem tanto ao cigarro convencional quanto ao eletrônico, e numa idade média de 16 anos”, ressaltou.

A chegada do vape também pode ter intensificado o tabagismo entre os jovens, alerta o médico. “Esses dispositivos têm várias essências e sabores que são palatáveis para a criança e o adolescente, assim como a pasta de dente infantil tem sabores de fruta e chiclete, é o mesmo paralelo. Dados dos Estados Unidos e Europa mostram que a exposição ao vape entre crianças tem ocorrido cada vez mais cedo, entre 10 e 12 anos de idade.”

A forma como o cigarro eletrônico é vendido pode acabar seduzindo os mais novos, afirma a médica pneumologista Jessica Polese.

“As propagandas são muito coloridas, envolventes, e dizem que o vape é livre de nicotina, quando, na verdade, possui substâncias análogas à nicotina, que são tão ruins quanto a original”, afirmou.

Começou aos poucos, socialmente, e frequentemente associado ao uso de álcool. Foi assim que o tabagismo entrou na rotina de um programador de 24 anos, que preferiu não se identificar.

“Cheguei a fumar um maço por dia, de todo tipo de cigarro. Vape eu só fumava quando algum amigo tinha. O hábito foi evoluindo sem nenhum motivo especial e tornou-se parte da minha rotina. Parei vai fazer um mês. Não preciso disso para ter felicidade”, contou.

A pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C. Camargo Cancer Center com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, ouviu mais de duas mil pessoas nas 27 unidades da Federação.

A amostra indicou que entre os jovens de 16 a 24 anos, 19% se declaram fumantes ativos de cigarros comuns ou eletrônicos, acima da média nacional (17%) e de todas as outras faixas etárias.

O levantamento mostra ainda que o risco não se limita a quem fuma: um em cada três brasileiros (33%) convive frequentemente com pessoas que fumam por perto, em casa ou no trabalho.

Na região Sul, a exposição é maior, chegando a 41%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice é de 37%.

Especialistas apontam que a influência de amigos ou família pode expor crianças e adolescentes ao tabagismo de forma social e com exposição prolongada.

O estudo também aponta que o tabagismo tende a estar associado a um conjunto mais amplo de comportamentos de risco.

Entre os fumantes, 84% acumulam até quatro outros hábitos considerados nocivos na rotina, como sedentarismo e consumo de alimentos ultraprocessados e frituras em excesso.

Outro achado do estudo chama muita atenção. Entre os que se declaram fumantes, 63% avaliam a própria saúde como “ótima/boa”.

A chegada do vape, nome popular do cigarro eletrônico, também é apontada pelos especialistas como uma das possíveis causas para o aumento do tabagismo entre adolescentes.

O dispositivo possui aromas e sabores de frutas e outros alimentos, o que atrai os mais jovens.

Além disso, a propaganda do produto informa que o vape é livre de nicotina. Porém, o dispositivo possui substâncias análogas à nicotina, que oferecem tanto risco à saúde quanto a própria nicotina.