Globo viaja à China para estudar mercado de microdramas e C-dramas após resultados iniciais no streaming. Entenda os custos, formatos e bastidores da apuração; confira a coluna do Sandro

A Globo mira o mercado de microdramas e busca a experiência chinesa para entender o modelo de produção, com foco no baixo custo e na velocidade de gravação. O NaTelinha apurou que executivos da emissora embarcam nos próximos dias rumo à China para realizar um estudo aprofundado sobre o setor.

Fontes ouvidas pela reportagem revelam que a Globo acompanha de perto o avanço de aplicativos de microdramas no Brasil. Entre eles destaca-se o ReelShort, do grupo digital chinês COL Group, sediado em Pequim.

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Em 2025, o aplicativo estreou sua primeira produção brasileira, A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário, que atingiu mais de 100 milhões de visualizações em apenas três dias, segundo dados da própria plataforma.

Com o crescimento do mercado, a Globo começou a investir em microdramas em setembro de 2025 com Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário e Tudo Por uma Segunda Chance no Globoplay. Porém, os resultados ficaram abaixo das metas iniciais. Diante disso, a emissora busca na China o modelo ideal para elevar a performance dessas produções.

Por outro lado, a viagem da Globo à China inclui o mapeamento das produtoras de C-dramas, os doramas chineses. O formato ganhou público fora da Ásia com tramas de romance e fantasia histórica em plataformas de streaming. A emissora quer usar a estrutura desse roteiro para produzir novelas e séries no Brasil.

Os microdramas verticais na China deixaram de ser curiosidade de internet para se tornarem um mercado de cerca de 5 bilhões de dólares em 2023, segundo dados da iResearch e da iiMedia Research. O valor equivale a quase 70% de toda a bilheteria dos cinemas chineses no mesmo ano.

Projeções da iiMedia indicam que o setor pode superar a casa de US$ 26 bilhões até 2030.

Conhecido como duanju, o formato surgiu por volta de 2018. Eram esquetes caseiras e adaptações rápidas de literatura digital para quem usava o metrô. A partir de 2020, virou indústria.

Os primeiros episódios de um minuto rodam de graça no feed. Para ver a continuação após os ganchos dramáticos a cada 90 segundos, o usuário compra moedas digitais. Quem consome uma temporada de 80 capítulos costuma gastar mais do que em uma assinatura mensal de streaming tradicional.

Emissoras de TV e estúdios ocidentais passaram a estudar o modelo porque ele opera com prazos curtos. Uma produção inteira fica pronta em torno de duas semanas, com orçamento baixo e retorno em poucos dias via tráfego pago. Reduz custos de filmagem e retém a atenção de quem já não senta para assistir a transmissões lineares.

Outro dado que chamou atenção na Globo é que as instalações de aplicativos de microdramas na América Latina cresceram 913% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O índice foi o mais alto entre todos os mercados analisados pela empresa de métricas Adjust.