Fraudadores se passam por advogados e convencem vítimas a fazer transferências via Pix

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

Bruna Correia Gabriela Cecchin

O golpe do falso advogado já gerou mais de 1.520 denúncias em São Paulo desde o início do ano, segundo dados da seccional paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Os criminosos entram em contato com clientes de escritórios de advocacia, apresentam dados verdadeiros sobre processos judiciais e alegam que é necessário fazer um pagamento para liberar valores de uma ação.

No acumulado de 2025, a entidade registrou mais de 5.600 denúncias. A ordem criou uma força-tarefa para acompanhar os casos e, além disso, afirma ter ajuizado uma ação civil pública contra operadoras de telefonia, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a Meta (dona do WhatsApp) em busca de medidas para conter as fraudes. A OAB-SP afirma que a maioria quase absoluta dos casos analisados envolve dados do sistema do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

Em nota, a Meta afirma investir em recursos para ajudar usuários a identificar contatos suspeitos e em mecanismos de denúncia dentro do aplicativo. A empresa ainda diz que, por utilizar criptografia de ponta a ponta, não tem acesso ao conteúdo das mensagens trocadas entre usuários. Segundo a companhia, contas que violam os termos de uso podem ser suspensas ou desativadas após denúncias e análises.

Na maior parte dos casos, os criminosos entram em contato por WhatsApp utilizando a foto e o nome de advogados reais. Em seguida, informam que o cliente tem valores a receber em uma ação judicial e pedem uma transferência via Pix para supostos custos processuais ou liberações de pagamento.

Entre maio de 2025 e o início de março de 2026, a Ouvidoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) recebeu 88 denúncias do golpe, sendo 74 registradas em 2025 e outras 14 neste ano.

Um servidor público de 57 anos, que pediu para não ser identificado, afirma ter perdido R$ 3.400 após acreditar que estava falando com representantes do escritório responsável por uma ação judicial antiga.

Ele conta que recebeu uma mensagem informando que havia valores a receber. Como a informação fazia referência a um processo real, decidiu continuar a conversa.

Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

Segundo o relato, o golpista orientou a realização de uma transferência via Pix e depois convenceu ele e a esposa a seguir uma série de instruções no celular. Ao final, os criminosos conseguiram acessar as contas bancárias do casal e transferir praticamente todo o saldo disponível.

O advogado criminalista Marcus Gusmão conta que clientes do escritório receberam contatos desse tipo. "Em alguns casos, eles mencionavam nomes completos, número de processos e até o tipo de ação", diz.

Para ele, os dados podem ter sido obtidos a partir de informações públicas dos processos, combinadas com técnicas de engenharia social. "A principal orientação é desconfiar de pedidos urgentes de pagamento e confirmar qualquer solicitação com o advogado antes de realizar transferências", afirma.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

Pedro Viana, advogado especializado em cibersegurança e governança de dados, afirma que o golpe pode resultar de uma combinação de fatores. Entre eles estão informações processuais públicas, credenciais comprometidas e técnicas de engenharia social. Em alguns casos, há também acesso indevido a sistemas por meio de credenciais obtidas de forma irregular.