Plataforma é notificada para remover vídeos que usam avatares para dar dicas de saúde e vender produtos sem comprovação científica

A notificação foi enviada na última sexta-feira (4/9), após um levantamento identificar 97 perfis que publicaram esse tipo de material entre janeiro e 10 de julho de 2026 - (crédito: Divulgação/MS) O governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), notificou o YouTube para que remova ou rotule vídeos que usam inteligência artificial (IA) para criar falsos médicos. Esses conteúdos digitais disseminam informações perigosas sobre saúde, incluindo promessas de curas milagrosas e tratamentos sem qualquer comprovação científica.

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A medida foi tomada após uma análise do programa Saúde com Ciência, uma força-tarefa do governo que inclui os Ministérios da Saúde, da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI). A notificação foi enviada na última sexta-feira (4/9), após um levantamento identificar 97 perfis que publicaram esse tipo de material entre janeiro e 10 de julho de 2026. As informações do caso também foram enviadas para a Polícia Federal e para o Conselho Federal de Medicina (CFM).

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O vice-presidente do CFM, Jean Carlo Cavalcante, afirmou, porém, que o material ainda não havia chegado oficialmente ao conselho até o momento da entrevista. A entidade, segundo ele, já tinha conhecimento do caso e considera a situação especialmente preocupante por envolver duas formas de fraude.

“Primeiro porque é um avatar, não é um médico real, é um médico virtual. E, segundo, porque apresenta soluções para problemas que sabemos que não existem. O pior de tudo é que ainda alcança um público extremamente vulnerável, que são os idosos”, afirmou ao Correio. 

De acordo com o Ministério da Saúde, os vídeos utilizam avatares de aparência humana que se apresentam como especialistas. Eles atribuem a si mesmos qualificações profissionais fictícias e usam uma linguagem alarmista para dar credibilidade às suas falas. O objetivo, em muitos casos, é vender produtos, e-books ou serviços pagos.

Grande parte do conteúdo é direcionada à população idosa, um público considerado mais vulnerável a golpes. Os riscos associados a essas práticas são graves, como a automedicação, o abandono de tratamentos médicos convencionais e o atraso na busca por um diagnóstico profissional.

Diante do avanço desse tipo de conteúdo, o CFM pretende ampliar as campanhas de orientação para ajudar a população a reconhecer fraudes. “O que pretendemos fazer agora é aumentar as campanhas de letramento e de orientação à população para que não caia nisso”, explicou Cavalcante.

Segundo o vice-presidente, além dos avatares mencionados no levantamento da AGU, os conselhos de medicina já registraram casos de médicos reais que usam as redes sociais para anunciar curas milagrosas ou vender produtos sem resultados comprovados.

Os conselhos regionais também já identificaram recomendações com potencial de causar danos à saúde. Nesses casos, podem ser abertas sindicâncias, primeira etapa da apuração, para investigar a responsabilidade dos profissionais envolvidos. O CFM atua como instância recursal nos processos éticos.

Nos casos em que os vídeos são produzidos com avatares e não envolvem profissionais registrados, entretanto, o conselho não pode conduzir diretamente uma apuração ética. “Como esse material da AGU envolve médicos virtuais, esse é um caso de polícia. O conselho só tem atuação sobre médicos. Quando uma pessoa que não é médica se passa por uma, encaminhamos o caso à polícia ou ao Ministério Público e agimos pela via judicial”, esclareceu.

Na notificação, elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), a AGU deu ao YouTube um prazo de 72 horas para indisponibilizar os vídeos apontados ou, como alternativa, sinalizá-los com avisos claros sobre a natureza artificial dos personagens. A plataforma também deve avaliar outros canais com características semelhantes para prevenir a disseminação de mais desinformação.

Essa não é a primeira vez que o governo age contra a desinformação em plataformas digitais. A AGU já havia notificado o Telegram após o Ministério da Saúde identificar 18 grupos que comercializavam ilegalmente comprovantes de vacinação falsificados. A ação resultou na remoção dos canais denunciados e na suspensão da conta de um usuário identificado durante a investigação.

As notificações se baseiam no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas por conteúdos ilícitos. Além disso, a AGU argumenta que a prática viola os próprios termos de uso dos aplicativos, que proíbem o compartilhamento de conteúdo ilegal.

O Ministério da Saúde reforça que o combate à desinformação é essencial para proteger a população. A orientação é que as pessoas sempre busquem informações sobre saúde em fontes oficiais e confiáveis, além de denunciar conteúdos que possam colocar outras vidas em risco.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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